Tempo, não se ganha e nem se perde. Não se conserva. É um breve espaço que congela o presente e atraí o futuro. Um intervalo para ser dividido, jamais multiplicado. Talvez socializado. O tempo ganha informações diferenciadas a cada momento. Corrompe sonhos e aponta novos recomeços. É o simbolo da independência programada. Coloca as regras acima de tudo e leva as dores do mundo com total gratidão. Comanda ações impensadas e assume as fraquezas das horas difíceis. Leva o pensamento para lugares tão distantes onde o mundo se transforma em véu. A saudade se resume em belas cortinas que se abrem para o encantado mundo das emoções. A vida é apenas um detalhe diante do indivíduo fragmento do tempo. Um breve suspiro de ilusão acompanhado de soluços intercortados pelas lágrimas. O tempo é sólido como as pesadas montanhas que preenchem o horizonte. Cego como o profundo abismo noturno. Ás vezes se cobre de cinza e demonstra seu verde escuro distante e opaco. Permite que a solidão tome conta da planície numa tentação despudorada. A paciência é convicta e eterna parceira. É conivente com a libertinagem. Flameja seu furor nas letras tristes e melancólicas escapulidas pelas madrugadas. Caminha lentamente como um ermitão rumo ao inevitável destino. Está acima das conjecturas. Vaga livre na solidão do amor. Esnoba o futuro e brinca com o passado. O tempo é tão superficial que faz das horas amargas simples distração. Colhe as lágrimas e as agruras da rotina com a mesma precisão das vitórias. Não perdoa os deslize e não teme os desafios. Jamais se retrocede. Apesar das dificuldades segue arrastando a esperança. Varrendo o universo de paixão. Domina a beleza e faz da virtude eterna marca das lembranças. Semeia o carinho entremeio as estações. Presenteia o amor com a primavera e a vaidade com o verão. Traz o repouso do inverno e lava ás mágoas no outono. O tempo não falha. Acontece a cada momento sem equívocos. Desafia o caos e rompe a barreira das dúvidas. Conta cada detalhe das façanhas numa única vez. Distribui as oportunidades e faz da sorte um estado de graça. Dá vida a alegria e transforma a felicidade numa linda noiva de paz. Realiza o casamento da união com a fraternidade e faz nascer os filhos eternos motivos de vida. No tempo repousa a sabedoria e a precisão. Como uma família motivacional penetra na dimensão da fé e se torna eterno. São minutos de idas, sem voltas. Um momento da história que fica. Um pouco da razão esquecida. O amor é o encontro do tempo com a gratidão. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado
[email protected]