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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010, 18h:58

Teatro universitário

Mato Grosso não possuía um Teatro, na concepção hodierna, com os requisitos imprescindíveis de acústica, palco profissional, proscênio, camarins, iluminação e outros. O Cine-Teatro Cuiabá, que vem da década de 1940, recebeu vários grupos teatrais, porém foi mais cinema e auditório nas domingueiras da Rádio A Voz D’Oeste, o “Domingos Festivo na Cidade Verde”. Foi importante para a sociedade cuiabana, suprindo a ausência de casa de espetáculos, com salão de chá, onde abrigou o Centro Artístico Musical, por longos anos, no pavimento superior. A audácia dos moços e moças, liderados por Gabriel Novis Neves, na nascente Universidade, queria mais. A instituição era adolescente e palpitava-lhe o anseio de criar, mudar, suprir. Quem chegava ao Campus, vindo de outros estados ou do exterior tinha pelo reitor e todos os seus companheiros; às vezes não é fácil distinguir quem é quem, na comunidade universitária, incluindo estudante”. Naturalmente, que a burocracia governamental não aprovaria a edificação de um teatro propriamente dito, houve veto. Solução: recursos para levantar o auditório da Biblioteca Central, era a tradução da linguagem oficial. Profissionais da área foram trazidos a Cuiabá, como professores visitantes, única forma simbólica de remunerá-los, como Aldo Calvo, italiano, responsável pela cenotécnica, tendo no currículo a reforma do teatro de Milão, após a Segunda Grande Guerra (1939-1945), Teatro Nacional de Brasília, Teatro Guaíra de Curitiba, entre outros. A acústica contou com o especialista polonês Igor Sresnewski. O projeto inicial de lotação de expectadores foi alterado em favor da acústica e do conforto. Reduziu-se o número de poltronas de 700 para 510, com madeira no encosto. As paredes laterais do Teatro contêm gigantescas caixas, contendo isopor e pneus. A cortina da boca de palco consumiu abundantes metros de veludo, com projeto e confecção de fábrica do alto ramo comercial. A iluminação, com instalações de facilitada manutenção, foi realizada por empresa especializada, sob supervisão de Aldo Caldo. O foyer possui atraente decoração com tachos de cobre, de tamanho avantajo, adquiridos na região ribeirinha do rio Cuiabá, por idéia de Fernando Augusto Alves Pace, que, ao lado de Sresnewski, trabalhou a técnica do ruído do salão de espera. Alí está um acervo patrimonial de cultura da região. Pace, professor e chefe de gabinete da reitoria, nas diligências de efetivação técnica e artística do Teatro, como um todo, muito contribuiu, como se viu na sua inauguração em 26 de janeiro de 1982, com a presença do ministro da Educação e Cultura, Rubem Ludwig, e dos reitores das universidades brasileiras, no Encontro do Conselho de número XX-XIV do CRUB. Do lado externo, grupos de dança exibiam o folclore regional. A escultura existente ao lado direito da passarela de entrada, no jardim, é de Wlademir Dias Pino, representando a máscara da comédia e tragédia. A placa inaugurativa de bronze contém aviso impercebido, ainda. Quando, em Cuiabá, os atores Glória Menezes e Tarcísio Meira visitaram as obras do Teatro, emocionados, recomendaram a peça de Mário de Andrade, Macunaíma, para a estréia, sendo acolhida a sugestão. Fernanda Montenegro fora convidada para representar o ator brasileiro, agradeceu e indicou Tônia Carrero, justificando que sua beleza compatibilizava-se com a do Teatro, que nascia. Gabriel e Tônia deram-se as mãos no palco. Na inauguração artística, em 8 de fevereiro seguinte, a homenagem maior foi ao ator e autor brasileiros. O Teatro Universitário pôs em cena Macunaíma, sob direção de Antunes Filho, quatro dias antes de Gabriel deixar a reitoria. Um dado curioso, o diretor pedia para cada apresentação, num total de quatro, dez quilos de jornal e oito quilos de talco cirúrgico para a indumentária. Em dado momento, apenas o talco revestia o corpo nu. Resplandecia o lado plástico da peça, personagens e luzes. No primeiro dia, a Universidade reservou as duas primeiras fila de poltronas aos grupos amadores de Mato Grosso, sendo, na época, 24 em todo o Estado. No último dia, a apresentação foi exclusiva para os servidores universitários. Acadêmico Benedito Pedro Dorileo, Cadeira 26

Edição EDIÇÃO 16961




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