Cia. Pessoal de Teatro concebeu e montou a peça Cidade dos Outros, que é encenada a partir de hoje num espaço que é a cara do rocknrol
Claudio de Oliveira
Da Reportagem
São duas atrizes e diretoras. Elas têm feito trabalhos memoráveis e contribuído com seu conhecimento e atuação para aperfeiçoar o nosso teatro mato-grossense e obviamente brasileiro. Tatiana Horevicht e Juliana Capilé beberam da fonte científica e graduadas em teatro (direção) vem dando cursos e montando espetáculos. Em seu mais recente trabalho convidaram o veterano Amaury Tangará com quem trabalharam na peça Salário dos Poetas para dirigi-las. Um olhar de fora, com experiência e muita criatividade. As meninas escreveram o espetáculo Cidade dos Outros no prêmio Myriam Muniz/2008. O prêmio contempla pré-montagem e/ou circulação. A promessa feita ao diretor Amaury era que caso ganhassem lhe esperariam para montar. Compromisso cumprido, após a longa espera pelo recurso seguiu-se, pelo diretor que chegou em novembro de 2009 de Portugal onde recentemente escreveu e dirigiu Viver Errado com a Companhia dos Atores de Lisboa. Segundo Tatiana, quando Amaury chegou o primeiro texto da Juliana estava pronto e junto com ele fomos abrindo o texto, reformulando e repensando junto. Um pouco do niilismo de Viver Errado aparece na Cidade. Vemos assim certo transbordamento. Foram cinco meses intensivos. De manhã, de tarde e de noite trabalhando sem parar até chegar ao resultado final apresentado no Festival de Teatro em Alta Floresta (Amazônia das Artes). Depois da pré-estreia, depois das duas primeiras apresentações o Amaury disse: Agora sim. Está pronto. E foi embora para Portugal de volta. A Cidade dos Outros é um trabalho da Cia. Pessoal de Teatro. A Cia. tem como característica trabalhar com textos próprios, buscando um olhar pessoal e o mergulho na pesquisa de um tema. A dramaturgia do espetáculo é de Juliana Capilé, que com inspiração becktiniana de Esperando Godot, desenvolveu e devolveu o tema da espera para nossa realidade atual. Horevicht explicou um pouco deste clima Becktiniano assim: Não estamos num período pós-guerra (como foi o de Samuel Beckett) mas também estamos em um momento de espera, um certo vazio que lembra Beckett. Você está sempre esperando, resolver um problema...ganhar dinheiro... E nesta espera relida pela atualidade é que a atmosfera e dramaticidade da peça se desenvolve. As meninas estarão hoje e amanhã na Casa Fora do Eixo (CAFE) às 20 horas. A entrada custa R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). A CAFE fica na rua Floriano Peixoto, 527. Próximo ao colégio Liceu Cuiabano.