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ILUSTRADO
Terça-feira, 22 de Outubro de 2013, 21h:04

EUBIOSE

TEATRO GREGO E TEATRO EUBIÓTICO - PARTE I.B

Sebastião Vieira Vidal e Margarida Estrela
Especial para o Diário de Cuiabá
Sófocles (497-406 a.C.), introduziu, seguindo o rumo de Esquilo, o terceiro ator, reduziu mais ainda o papel do coro: modificou para 15 o número de seus componentes e atribuindo-lhe um caráter mais efetivo no desenrolar da ação. Este fato permitiu maior consistência na estruturação das peças. Portanto, Sófocles: três atores e 15 componentes corais. Sófocles também abriu os seus próprios caminhos, quando abandonou o sistema de trilogias adotado por Esquilo, passando as suas peças a não apresentar interligações aparentes do mesmo assunto. Eurípedes (485-406 a.C.), este não trouxe contribuições à estrutura do drama: aceitou-o como fora deixado por seus antecessores e utilizou-se das formas consagradas. Contudo, demonstrou particular atenção, pela maior complexidade da trama de suas peças, mais “psicologia”, mais “individualismo” - em que as funções do coro, então, tendeu a reduzir-se mais ainda do que o fora em Sófocles. O que é importante, Eurípedes emancipou-se das preocupações de ordem moral, presentes sobretudo em Esquilo e menos em Sófocles, dando mais sentido ao uso dos “prólogos” e à caracterização dos personagens. Pode-se afirmar com alguma relutância, que foi Eurípedes o primeiro a introduzir o diálogo entre três personagens, como se verifica do verso 1209 em diante de “Orestes”, pois até então, embora presentes mais de dois personagens, o diálogo se processava sempre de dois a dois, em sucessão. Eurípedes também lançou mão dos solos e duas alternadas na tragédia; desconhecidas essas soluções em Esquilo, mas de já apareciam nas últimas peças de Sófocles. Isto mostra haver sido Eurípedes quem por primeiro as utilizou. Bom, no que interessa, a influência de Eurípedes foi considerável e exerceu-se antes sob os aspectos, digamos, fisiológicos e psicológico do que anatômico, do drama grego. Muitos outros existiram, contudo, menores. Dentre eles parece-se destacar Agaton, a quem são atribuídas pequenas três inovações: a utilização do tema de sua própria invenção em um drama; a intercalação em suas peças de interlúdios musicais; e o emprego de uma lenda ou mito completa em cada uma de suas peças dramáticas, em lugar de um episódio, como de praxe. Vejamos agora a comédia, que se atrasou em relação à tragédia; pelo menos, somente em 486 a.C., a comédia foi admitida em competição pública. Como era de se esperar, desse atraso, recebeu influências do aprimoramento da expressão trágica. Não obstante, apresenta uma estruturação muito mais complexa e uma forma muito mais restrita do que a tragédia. Por exemplo, a comédia era um composto de elementos corais e ações decorrentes de diálogos desenrolados em torno de uma ou mais tramas. E isto advém mesmo de sua constituição, em que devem ter contribuído em partes desiguais, a “farsa” Peloponesa, o siciliano e o “comos” ático, sobretudo na modalidade em que os participantes, em coros cantados e dançados, tinham por costume disfarçar-se em animais. Aristófanes é o ápice na comédia e em suas peças, os coros são formados dos animais, que intitulam as peças, fato que indica, por conseguinte, uma reminiscência desmascaradas dionisíacas. Historicamente, parece competir a Susarion ( de Megara Hibléia, perto de Siracusa ) a glória de haver por primeiro adaptado o material das procissões rituais, cerca do ano 560 a.C. Da Sicília, a comédia teria passado ao Peloponeso e daí, Atenas. Aristóteles, contudo, refere-se ao poeta Epicarmo ( séculos VI e V a.C. ) como quem deu forma literária aos “mimos” e “bufonerias” , tradicionais entre os dórios; bem como, refere-se a Crônides de Atenas ( 488-460 a.C. ), com idêntica atuação em relação às palhaçadas megáricas. Mais ainda, em Atenas e contemporâneamente a Aristófanes, foi o primeiro a - deixando de lado a forma - elaborar uma comédia com seus componentes girando em torno de tramas generalizadas jâmbica. No que importa, foi com Aristófanes (448-50 - 380 a.C.) que a comédia alcançou sua plenitude e mais, como gênero, elevou-se definitivamente à dignidade atribuída até então à tragédias. O vigor da “comicidade”, em Aristófanes, de sobrevivência incomum, não é somente um marco na história da comédia, desde que continua a ser através dos tempos, uma fonte preciosa de conhecimentos iniciáticos. Após a Aristófanes, encontramos apenas significativamente a Manandro ( 342-292 a.C. ), cuja obra personifica o movimento chamado de “Comédia Nova” ( Aristófanes, “Comédia Antiga”). Coluna Eubiose: Todas as quarta-feiras. Copyright© Sociedade Brasileira de Eubiose® - SBE – Todos os direitos reservados. Proibida alteração no texto. Permitida a reprodução, desde que sejam citados fonte e autor. Matéria extraída da Série Cultural da Sociedade Brasileira de Eubiose – SBE. www.eubiose.org.br e www.mosaicosdonovociclo.com.br e [email protected] Facebook: Eubiose Cuiabá “O vigor da “comicidade”, em Aristófanes, de sobrevivência incomum, não é somente um marco na história da comédia, desde que continua a ser através dos tempos, uma fonte preciosa de conhecimentos iniciáticos.”

Edição EDIÇÃO 16967




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