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ILUSTRADO
Segunda-feira, 27 de Junho de 2011, 21h:17

RECEITA

Som, sombra e feijoada

Músico experiente mandando ver, prato típico de sábado e o ingrediente natural pra lidar com o calor cuiabano

Martha Baptista
Da Reportagem
A receita é simples e não tem a pretensão de ser original: reunir velhos amigos para saborear uma feijoada aos sábados, debaixo de mangueiras e uma ingazeira. Para melhorar o tempero, que tal um pouco de música popular brasileira? E se os amigos, alguns deles músicos profissionais ou amadores, resolverem dar uma canja, soltando a voz ao lado do veterano Carlos Silva? É assim que o paulista José Dimas Mathar, radicado em Cuiabá desde o início dos anos 80, vem atraindo velhos e novos amigos ao bar e restaurante Rola Papo, no bairro Boa Esperança. O estabelecimento funciona somente à noite, de terça-feira a domingo, mas em abril passado Dimas resolveu reintroduzir no cardápio a feijoada que fez sucesso há 14 anos. “Meu negócio é viciar as pessoas numa coisa boa. A gastronomia está presente em todos os eventos da humanidade. Muitas decisões importantes (políticas, pessoais) são tomadas em volta da mesa. Quis criar um evento ao qual as pessoas viessem não só para comer, mas para relaxar, rever amigos, bater papo, ouvir música”, conta Dimas Rola Papo, que, com o tempo incorporou o nome de seu negócio. Segundo ele, tem gente que aparece todo sábado, chega meio-dia e só vai embora lá pelas 18h. O preço promocional de R$ 14,90 por pessoa certamente ajuda a atrair a freguesia que não liga muito para o calor tradicional de Cuiabá. “É claro que nos dias mais frescos sempre aumenta a demanda por tudo: as pessoas comem mais massas, tomam vinho, pedem um peixe caprichado e, naturalmente, consomem mais feijoada”, reconhece o comerciante. REPERTÓRIO DIVERSIFICADO Para acompanhar o chope, o caldinho de feijão e a feijoada propriamente dita, Dimas convidou Carlos Silva, um pernambucano radicado em Mato Grosso há quase 40 anos, mas que andava meio sumido de Cuiabá. Carlos Silva é músico profissional desde 1984 e tem várias composições que homenageiam o estado que escolheu para viver e que já rodaram pelo Brasil – e quiçá pelo mundo – promovendo o turismo mato-grossense. “Deusa do Pantanal”, “Na curva do rio”, “Salgadeira”, “Parabéns Cuiabᔠe “Reino dos Pantanais” (sua primeira composição) são algumas das canções que fazem parte do CD “A Majestade o Pantanal”. Foram feitas em homenagem à capital e cidades como Cáceres, onde Carlos Silva morou. O músico conta que andou meio desiludido com a falta de incentivo ao turismo de Mato Grosso nos últimos tempos. Recentemente ele conseguiu ter aprovado um projeto para a gravação de um novo CD, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e já está botando mãos à obra para fazer os arranjos. Silva pretende regravar algumas de suas composições mais antigas e incluir novas canções. Do primeiro grupo faz parte “Caminhos de Poconé”, composta em meados da década de 80, em que o autor já se preocupava com a questão ambiental. “Onde vão pousar as aves se os homens depredarem o nosso Pantanal?” – pergunta na canção. Mato-grossense de “coração e alma”, o músico está curtindo a possibilidade de reencontrar velhos amigos na feijoada do Rola Papo. “Fiquei 25 anos fora de Cuiabá, morando no interior de Mato Grosso”, conta. Durante o almoço, ele se vale da experiência como músico para interpretar um pouco de tudo, com destaque para o samba. “A feijoada desce melhor com samba”, acredita. E assim, de papo em papo, de gole em gole, a tarde de sábado vai correndo sob a sombra das árvores no Boa Esperança. SERVIÇO O QUE: Feijoada com Velhos Amigos QUANDO: sábado, a partir das 11h ONDE: Rola Papo Pasta & Grill, Rua 3, número 20, bairro Boa Esperança (3627.7200) QUANTO: R$ 14,90 por pessoas mais couvert artístico

Edição EDIÇÃO 16965




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