ILUSTRADO
Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011, 20h:12
A
A
POESIA
Sodré se foi, sua poesia fica para sempre
Neste final de semana a poesia ficou órfã. Partiu o poeta Antonio Sodré. O DC Ilustrado rende a este artífice da palavra sua singela homenagem
Cláudio de Oliveira
Da Editoria
Sem palavras para dizer a dor que nos abate escolhemos amplificar as palavras que ecoaram com despedida do poeta. Entre textos de amigos e seu derradeiro soneto, usamos o seu poema para expor nosso sentimento: Foi-se então/Cortando o meu coração. O poeta da transmutação se mandou. Antonio Sodré, poeta visceral, de carteirinha. Sujeito pura poesia mesmo. Foi transmutar em outras paragens, que não aqui. Figura tradicional do velho Coxipó, das velhas noitadas, dos eventos culturais e artísticos. Mas não tem point que é mais Sodrezinho que a UFMT. Ali, na rampa do Instituto de Letras e Artes, acho que é isso, trabalhando naquilo que acreditava: venda e revenda de livros usados. Vivia entre os livros e para eles. Sempre a versejar, inspirado que era. Sodré, certamente, estava entre os três artistas vivos mais expressivos da nossa arte literária. Essa é a minha opinião, a nossa opinião. - Lorenzo Falcão E agora Sodré? Foi ontem sabá-dó véspera de dó-mingo, UNI-VER-CIDADE de portas fechadas para educandos, educadores, passantes e ficantes de amor pelo espaço. Não era dia de chorinho e nem de chorar. Não havia nem o jornal do meio dia para nos comunicar. A música era bocejo morno de preguiça e saudade da sexta. Como pode Sodré! Nos deixar num sábado... O sábado não era nem de aleluia! Você não esperou nem a lua ficar cheia de sol foi embora manhãzinha com seus pequeninos passos, vagarinho... Sem tempo para o nosso último abraço. E agora Sodré? Quem vai pendurar os varais de bandeirolas cheios de vida e PÓ-E-SIA para enfrentar os moinhos de vento do descaso ao poeta. Quem nos mostrará numa só tacada a força dos dentes e das garras da palavra. Quem vai nos alertar os podes e o poder de ser... Poeta! Sabá-dó... Véspera de Dó-mingo!... Um rabisco de isco de segunda sem o velho e sábio amigo. Parafraseando o Toninho: Te esperei o dia inteiro Sodré a noite é que chegou... (...) Já ia me esquecendo de te dizer; Poeta não morre, fica na história, no coração do povo e o nosso Matogrosso, diga-se de passagem, osso duro de roer jamais vai te esquecer! No aguardo. Te leio com saudades. Inté mais ver. - Vitória Basaia Foram tantas as palavras, tantas as homenagens que não sei se o poeta acreditava que faria tanta falta, que deixaria um buraco tão grande na vida e nos corações de tantas pessoas. Hoje esperamos te encontrar no infinito como diz o seu poema apresentado no curta Solidão (http://www.youtube.com/watch?v=OSAqhxVXGQ0). Infinito./Grande grito que ecoa...ecoa...ecoa.../E quem sou eu?/Meu grito é fraco./Sou apenas um minúsculo taco./Desta grande porção que não termina. No Orkut Amaury Lobo também abriu uma página In Memória que compartilhamos: http://www.orkut.com.br/Community?cmm=111609885 no Midianews a última entrevista concedida para a revista ContemporArte: http://www.midianews.com.br/?pg=noticias&cat=3&idnot=42694. Mário Olímpio também registrou o seu adeus com um belo quadro pintado pelo Sodrezinho: http://mariolimpio.wordpress.com/.