NA HORA
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Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 02 de Maio de 2009, 12h:47

CRÔNICA

Sinopse do Amor

Luís Gonçalves
Especial para o Diário de Cuiabá
Toda história de final feliz tem um miolo nebuloso. Faz parte da trama. Os autores tiram de letra essa mania de dificultar o fácil. Fazem isso como uma displicência quase monótona. Na história deles isso dá certinho. Os atores se encontram; tropeçam um no outro e se descobrem. Amam e se curtem numa loucura desesperadora. Até que o conjunto contrário resolve entoar um canto diferente. A mocinha não concorda e lá se foi a dança. Parece que só elas sabem terminar. Desistem de tudo. A marca do amor feito a mão, é: sempre eles querendo e elas dizendo não. A verdade é que elas não sabem fazer o papel do: “eu peço e você diz não!”; ninguém ensina a elas pedirem, estão acostumadas a dizerem sempre não. É por isso que as histórias de amor são sempre falhas. Só da certo no cinema. Lá a coisa se encaixa de uma maneira que chega dar dó. Na vida real é um destempero que desanda a paciência e as vezes até gera cena de sangue. Na real elas pedem tudo. Não querem só o beijo; anseiam levar a boca junto com os adereços possíveis. Se deixar elas juntam os rastros do sujeito como prova do crime. Sinceramente, não sei o que é pior... Parece que essa fábrica de história de amor fajuta que presenciamos no cinema é apenas uma suposição. Do tipo: poderia ser assim. Decidi que quero construir a minha própria história de amor. Na minha história não vai haver bancos em jardins e nem jantares suntuosos em restaurantes convidativos e sofisticados. Substituirei por simples meio fio e apenas um cachorro quente com muita batata frita. Os olhares sedutores serão apenas representativos e curiosos. Um olhar em busca do reflexo na alma. Não haverá beijo com sabor de catchup e mostarda. Apenas uma boa conversa e um caminhar lento de volta pra casa. Carícia mesmo será a mão dela limpando a sujeira em minha camisa. Na construção não haverá tramas de idas e vindas. Desencontro e nem outro tipo de argumento para apimentar a relação. O amor será construído passo a passo. Sem trovas e versos, sem rimas e badalações. Será um amor onde o corpo fala. A alma se rende e o mundo se transforma num brinquedo de paz. Não precisa muito para amar. É preciso querer amar. Estar disponível ao amor. Deixar as armas e ir a luta com sentimentos de gratidão e compaixão. Saber que o passado faz suas vítimas e enterra seus mortos da forma devida. Nada é tão brilhante quanto os olhos de quem descobre o amor. A alma se completa com o prazer. Depois da chuva, o amor pode ser a sobrevivência. A nova primavera que surge como uma nova poesia. A voz do coração! Luís Gonçalves – Publicitário e Escritor [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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