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Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009, 08h:34

Sexo e religião em confronto

Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, “Luz Silenciosa” (Stellet Licht, México, 2007/Imovision) do incensado diretor mexicano Carlos Reygadas (este é o seu primeiro produto lançado comercialmente no Brasil), é um drama hermético que lida com sexo e religião em ritmo vagaroso. O cineasta não esclarece a origem de seus personagens, interpretados por não profissionais no dialeto germânico plautdietsch. Essa inexperiência do elenco traz certo desconforto e frieza às atuações, por vezes intimistas demais. Reygadas, porém, é um talento bruto, capaz de criar enquadramentos impecáveis e de colocar sua câmera em pontos estratégicos. O filme se inicia com um magnífico alvorecer e seu desfecho se dá com um igualmente belo pôr-do-sol – ambos têm quase a duração real. Numa comunidade menonita (classe de religiosos protestantes que rejeitam quase completamente o progresso) localizada no norte do México, Johann (Cornelio Wall Fehr) é um senhor de meia-idade, que vive pacificamente ao lado da família, a esposa Esther (Miriam Toews) e seus sete filhos, sem praticamente qualquer contato com o mundo exterior. Nesse mundo fechado, sua comunidade utiliza apenas os carros e os avanços da medicina moderna, mas não utilizam, por exemplo, os meios de comunicações externas, como os telefones e a internet. Nessas condições radicais, a vida de Johann é totalmente alterada quando se apaixona perdidamente por outra mulher, Elizabeth (Maria Pankratz), o que coloca em xeque não apenas o modo de vida que leva, como a sua fé. Ele, então, terá de lutar contra as leis de Deus e da comunidade em que vive além de enfrentar a própria consciência. Uma linha de tragédias é rabiscada nesse cenário de um pacifismo radical. (J.C.)

Edição EDIÇÃO 16962




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