ILUSTRADO
Sexta-feira, 14 de Março de 2014, 21h:10
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CINEMA
Sessões grátis para todos gostos e idades
Como já é de praxe, neste sábado em dois horários, o Sesc Arsenal abre seu cinema gratuitamente para exibição de filmes de diversos gêneros. Na sessão pipoca -- obras destinadas ao público infanto-juvenil com o intuito de semear a paixão pelo cinema -- serão exibidos Desenhar é muito fácil, onde uma menina, em apenas quatro minutos, ensina a desenhar usando as principais figuras geométricas planas. Depois tem A festa que caiu do céu, ficção de 14 minutos contando a história de Rosa, que não se conforma de ter de ficar no quarto enquanto uma festa acontece em sua casa. Mas aí sua gata escapa para a rua, e ela descobre uma festa muito mais divertida. Encerrando a sessão destinada aos pequenos, tem Aquarela, animação de cinco minutos com trilha sonora da belíssima e criativa canção Aquarela, de Toquinho. Ao término das sessões é distribuída pipoca ao público presente. Horários das sessões. Sábados e Domingos, sempre às 18h30. Às quintas-feiras, às 17h30. O GATO DO RABINO Já às 19h30 há a animação para adultos O Gato do Rabino, dirigido por Joann Sfar e Antoine Delesvaux, franceses responsáveis por mostrar o judaísmo de uma maneira que só judeus ou estudiosos conhecem. A saber, com muita erudição, algum amargor e, claro, muita, mas muita ironia e humor negro. Na Argélia de 1920. O Rabino Sfar vive com sua belíssima filha Zlabya e um gato mimado e desonesto que desata a falar logo depois que come o papagaio da casa, algo que ele nega veementemente. Apaixonado pela dona, Zlabya, o felino faz de tudo para ficar perto dela. Numa sequência genial de metáforas com as histórias da Torá/Bíblia (no princípio era o verbo, não comereis da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois certamente morrerás) o folgado começa a descobrir que não é tão doce assim a vida dos seres humanos. Pra piorar, ele entra numas de querer ter personalidade, logo, exige seu Bar Mitzvah, causando um rebuliço na casa e nas cabeças dos rabinos. Ao lado de seu velho dono e seu também velho amigo, um iman muçulmano, um judeu russo que chegou semimorto numa caixa de livros e do burro muçulmano que também aprende a falar (eu falei que as metáforas eram geniais), eles partem para a Eritreia e Etiópia, África, que, para o russo (e vários judeus e estudiosos ao redor do mundo), é o lar dos últimos judeus genuínos da Terra, descendentes legítimos das 12 tribos. Começa uma jornada fantástica pelo continente africano a partir do porto de Argel. E vai acontecer de tudo um pouco, sempre em meio a debates filosóficos, racionalistas e existenciais em torno de praticamente tudo que aflige a humanidade. Ora entre o gato e o Rabino, ora entre o Rabino e o Iman, ora entre o gato e o burro. O russo? Bem, ele também tenta debater, mas não fala uma palavra nem de francês nem de hebraico e isso é outra ótima metáfora sobre o quanto a linguagem, se nos liberta por um lado, também nos aprisiona em um mundo de incompreensão e mal-entendidos. Kafka? Tá começando a entender.