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ILUSTRADO
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013, 20h:30

Sebastião Vieira Vidal

A EUBIOSE ATRAVÉS DAS IDADES II Sebastião Vieira Vidal De modo despretensioso e de acordo com as nossas pesquisas, continuamos com estas monografias, acerca do estudo da “Eubiose” ou Filosofia do Futuro Ciclo. Vimos e analisamos com alguns pormenores o conceito de Eubiose, em relação ao aspecto da Vontade, principalmente sob os seus aspectos de Pré-Vontade e Auto-Vontade. Pretendemos esclarecer mais alguns pontos no que concerne à Super-Vontade. Logo, falamos a respeito dos três aspectos principais de que é constituída a Manifestação do Eterno, de Deus, na criatura humana. Pois bem, a Super-Vontade encarada em si, isto é, em separado, não harmonicamente como os demais princípios, se caracteriza como já estudamos, pela renúncia, que é a base, a origem do que chamamos ética. Mas, na verdade, nenhum desses três aspectos da Vontade devem estar desequilibrados e sim, harmônicos. Eles, desequilibrados, não podem ser considerados sob o aspecto real da Eubiose, porque é, acima de tudo, a harmonia que traz a felicidade. Sempre que nos referimos às manifestações já vistas por nós outros, verificamos que, quando elas se apresentam ou se manifestam isoladamente, produzem a dor e o sofrimento. Procuremos, pois, encarar o problema sob esse prisma particular. Imaginemos, com efeito, uma criatura sem estar plenamente desenvolvida, sem ter dado expansão ampla a todas as manifestações do princípio de vida monádica. Sente as tendências acentuadas para a renúncia ou ascetismo. Os que estudam a Eubiose vão encontrar, portanto, justamente neste aspecto, nesta subdivisão da Vontade, indivíduos que não pensam em si, seres que renunciam a si mesmos, a todos os frutos dos seus esforços, porém, sem a consciência perfeita ou total, sem estarem ligados aos outros aspectos da alma que não são por eles vividos. São, por exemplo, os santos, os ascetas de qualquer religião. Não são criaturas perfeitas, ainda que dignas de respeito. Os yoguis, os sadus, todos os anacoretas, mesmo do cristianismo, sentem isso em si, encarnam esse sentimento. Eles conseguem renunciar efetivamente e não mental ou apenas emocionalmente. Quer dizer que eles podem atingir aquele nível da existência, mas forçados por um estado mental ou sentimental, digamos, pela assimilação de um pensamento de dever, por um sentimento de medo, mas não por um ideal consciente. Não podemos considerá-los Homens Perfeitos. Para que o fossem, seria preciso que essa renúncia estivesse acompanhada pelos outros estados, gradual e harmonicamente. Seria, preciso que houvesse vontade própria, que é o núcleo do EU, a “Pré-Vontade” a força propulsora, a energia nervosa que dá a pujança do “existir” , que transforma as coisas. Seria preciso, também, que os aspectos da Inteligência estivessem harmônicos e que no mundo da emoção houvesse o mesmo estado de evolução. É preciso fixar, como uma das noções fundamentais da EUBIOSE, que nenhum dos nove aspectos em que se divide a alma humana, quando isolados, por mais preponderante que seja, pode conduzir o indivíduo à perfeição e trazer felicidade. É fácil encontrarmos, por exemplo, na História do pensamento humano, na nossa História, através da Civilização, criaturas com manifestações isoladas desses nove aspectos. Todos eles sofreram, todos eles foram mártires, porque apenas tinham desenvolvidos um desses aspectos sobre os demais. Não havia um desenvolvimento harmônico. Sempre que houver um desenvolvimento harmônico, perfeito de todos esses aspectos, o indivíduo é, na realidade, justo e perfeito. É aquele que alcançou a plenitude da PAZ e é, na verdade, o conquistador da felicidade, para os demais. A sua consciência tudo abarca e, pode-se dizer que, não trabalha para si, seus esforços não têm um intuito de satisfazer paixões ou necessidades intelectuais ou mesmo desejos de dirigir, governar, dominar. Ele trabalha, porque sente a verdade e procura aperfeiçoá-la em todos os campos da atividade humana. Procuremos estudar com alguns pormenores estes aspectos da Super-Vontade. Vejamos, sem dúvida, quem melhor a representa no mundo, ainda que houvessem outros, quem melhor expressa a renúncia? A figura maravilhosa de Buda. Gautama, o Buda, foi de todos esses grandes Eubióticos e que pela Eubiose trabalharam, aquele que mais insistiu sobre a renúncia sob todos os aspectos. O Homem que não conseguir viver a renúncia, que não sente a possibilidade da renúncia, este homem não alcançará a Paz suprema do Nirvana, porque o “Nirvana” só pode ser alcançado pela alma que acaba renunciando a si própria. Nirvana, neste caso, corresponde ao que J H S denominou de METÁSTASE AVATÁRICA. Sem a renúncia de si próprio, das coisas materiais, como poderemos alcançar a Metástase Avatárica? Alcançar a Metástase Avatárica, sem renunciar à vida social, aos bens materiais, aos gozos somáticos, sem deixar de ser escravo do predomínio da vaidade, das idéias próprias, será possível?... É por isso que os discípulos em determinado estágio, realizam peregrinações. Isto para renunciar aos aspectos cômodos da vida e ao apadrinhamento proporcionado pela proximidade dos Mestres. Em resumo: este aspecto que chamamos de Super-Vontade, no sentido de uma criatura perfeita, não aparece no seu estado próprio e independente, mas no da Super-Vontade, na plenitude da Consciência, correspondendo a um desenvolvimento harmônico da inteligência e da emoção. Porque é na emoção que o indivíduo vai sentir a unidade da existência e a solidariedade que o deve ligar a todos os seres. A Super-Vontade é o estado pelo qual o EU renuncia à afirmação de si mesmo, constituindo precisamente a base psicológica da moral. Esse aspecto da Super-Vontade ficará entendido entre nós, depois que encararmos a coisa em conjunto.

Edição EDIÇÃO 16961




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