NA HORA
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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Segunda-feira, 02 de Julho de 2012, 21h:05

ACADEMIA

Roteiro poético

Casa Cuiabana: Minha casa geminada, qual a alma do meu povo. Meia água, uma porta, uma janela, de tranca e tramela. Calçada alta prá chuva escorrer, barrado vermeio, testada azul, amarela. Feita de frente pro sol poente. Meia água. Uma cancela que sempre geme, quando chega gente. Chão batido, no canto um pote com a beira quebrada. Uma folhinha na parede pendurada, com a fotografia de S. Jorge guerreiro, prá nos “protegê”. De quebrantu, arca-caída e mau oiádo. Minha casa não é só casa. Minha casa é um lar, de braços abertos pra quem passar, de braços abertos prá quem chegar! Cidade feita à mão! No passo, compasso do esperar, tendo como esquadro o tempo, e prancheta o coração. Cuiabá, não se deixou subordinar, à geometria, que não pode errar! Mas sim ao amor, daqueles que a souberam edificar. Qual jardim, todo dia a regar. Fazendo florir: cravos e rosas perfumadas, lenitivos da dura caminhada! As palmeiras imperiais, sempre altaneiras! Fazendo cócegas na mente privilegiada de D. Aquino, levando-o a poetar, nas tardes fagueiras, qual Gonçalves Dias, cuiabano, sorrindo ao ver no sorriso das suas palmas, ao vento tropical, brincando! Cuiabá cidade dos pássaros! Que nos seus, chilrear, quase que cochichando, sabem conversar, com a alma dos que vivem em Cuiabá. Os Bem-te-vís, nas suas algazarras e cantorias, motiva-nos para mais um dia de alegrias, neste calor gostoso, fonte das nossas euforias! Onde o rio rolando com suas águas limpas e claras, bifurca-se, em dois braços transformando. O bandeirante com sua saga, viu ouro puro da terra brotando. Negro, Índio, Português, a mistura da raça se dava! Nasce “Forquilha”, nome do rio emprestando. Nasce um povoado, uma Vila em Metrópole se transformando! O nosso Coxipó do Ouro, berço da Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, qual diamante de puro jaez, encastoado no Centro Oeste, está! Hoje a cidade mudou, tem jeito de metrópole! Porém um resquício da Velha Vila Ficou. Embora arranha céus para o infinito estão a apontar, edificações belas estão a aparecer. Mas... no coração do verdadeiro cuiabano, nada mudou. Continua a mesma filosofia de vida a viver. Honestidade, amor ao próximo que aqui chegar, considerando todos irmãos, vivendo num mesmo lar. Temos consciência deque nossa cultura em outra cultura irá se imiscuir, mas sempre com o mesmo sabor daquela que dela veio a surgir. Ah! Cuiabá de trancas e tramelas, da Ponte de João Gomes das pedras de cristal, dos becos, ruas, travessas e ruelas. Agora metrópole com esplendores a emergir. Mas, sempre na curva do vento sussurros da Velha Vila, irei ouvir! Pois os homens desaparecer, poderão, Porém, a alma, e o espírito dos mesmos viverão, para sempre lembrar a Cuiabá, que de simples Vila de outrora, hoje é metrópole opulenta de glória! A demolição da Catedral foi, uma Hiroshima no coração do mato-grossense! Levou consigo grata memória, e por mais que tente, não se colima, deixando profunda cicatriz na nossa história. E mesmo a imponência da atual, não dissipa a dor presente. Nossos agradecimentos à Jacinto Barbosa, figura sempre lembrada, em versos e prosa. O tilintar da colherinha de guaraná, duetando com o bimbalhar do sino, eram canções do cuiabano, no seu despertar. Madrugadas gostosas, do tempo de menino, que ainda nos meus ouvidos estão a soar. Repicando no tempo, vão, cantando a mesma canção! O coreto do jardim, local da retreta, a “bugrada” reunia prá ouvir a Banda que fazia, a música chorar, nas velhas valsas e rasqueados, que dançar fazia, até quem usava muleta! Acadêmico Moisés Mendes Martins Júnior - Cadeira 8

Edição EDIÇÃO 16961




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