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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 25 de Maio de 2013, 12h:22

A CIDADE VIVE DOS QUE VIVEM E VIVERAM NELA

Reitor José Bispo: O futuro do Brasil está na educação

EVALDO DE BARROS
Especial para o Diário de Cuiabá
Criada em 23 de setembro de 1909 pelo Presidente Nilo Peçanha com o nome de Escola de Aprendizes Artífices de Mato Grosso, a Escola Técnica Federal de Mato Grosso foi o embrião para a criação do IFMT – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso. O IFMT é, portanto, o mais antigo estabelecimento de ensino superior existente em Mato Grosso já que a nossa UFMT e as instituições que a precederam não têm vida tão longa. A criação é do início do século passado mas a vontade de enfrentar desafios e vencer barreiras é atual, de hoje, com o empenho de todos os seus integrantes: do reitor ao mais humilde servidor, todos vestiram a camisa e o Instituto caminha com passos firmes para levar ensino de qualidade a todo Estado de Mato Grosso. Fomos conversar com o dirigente máximo do IFMT, Professor José Bispo Barbosa. DC ILUSTRADO: Conte-nos professor Bispo a sua história REITOR: Nasci em Itumbiara, estado de Goiás, no dia 04 de setembro de 1960, sendo meus pais Manoel Barbosa Ferreira e Maria Divina Ferreira. Sou casado com a cuiabaníssima Ruth Maria Socorro Leite Barbosa, filha do saudoso radialista Mário Leite, um dos maiores sonoplastas do rádio cuiabano e temos quatro filhos: Carlos Henrique, José Mario, Anna Carolina e Fabiana Cristina. Sou técnico em Eletrotécnica formado pela antiga Escola Técnica Federal de Mato Grosso, Licenciado em disciplinas especializadas para o Ensino de 2º grau pelo CEFET-Pr, Especialista em Didática Geral pelo Instituto Educacional de Assis e MBA em Gestão Empresarial de Cooperativas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). DC ILUSTRADO: Pelo que se viu da sua formação acadêmica o sr. não arredou o pé da área educacional, não é verdade? REITOR: Pois é, acho que sou vocacionado a trabalhar com educação e gosto muito do que faço. Acredito que a minha formação e a maneira de multiplicar companheiros para a luta comum transformou-me no reitor pro tempore e no primeiro reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso. A minha biografia remete-me para a história da educação em Mato Grosso e isso me honra muito. Para quem veio viver no interior de Mato Grosso aos 13 anos de idade, vendeu laranjas na rodoviária, trabalhou no cinema e em loja de móveis da cidade, já está de bom tamanho chegar onde cheguei. DC ILUTRADO: Mas poderão vir mais desafios pela frente... REITOR: O futuro a Deus pertence. Eu trabalho duramente para recompensar a generosidade das pessoas que confiaram em mim. Sou, por formação familiar, simples e transparente. Acho que trilhando o caminho da honestidade e sendo sincero com os colegas e amigos as coisas acontecem com naturalidade. DC ILUSTRADO: A trajetória do Instituto tem um fantástico valor histórico e gostaríamos de conhecê-lo. REITOR: É longo Evaldo. Mas posso divulgá-lo. O IFMT - Campus Cuiabá - Cel. Octayde Jorge da Silva foi fundado em 23 de setembro de 1909, através do decreto n.º 7.566, de 23/09/1909, de autoria do Presidente da República Nilo Peçanha. Inaugurado em 1° de janeiro de 1910 como Escola de Aprendizes Artífices de Mato Grosso (EAAMT), tinha como objetivo munir o aluno de uma arte que o habilitasse a exercer uma profissão e a se manter como artífice. Em 1930, a EAAMT vinculou-se ao Ministério da Educação e Saúde Pública e, em 13 de janeiro de 1937, através da Lei nº 378, as Escolas de Aprendizes Artífices receberam a denominação de Liceus Industriais. No entanto, somente em 5 de setembro de 1941, via Circular nº 1.971, a EAAMT assumiu oficialmente a denominação de Liceu Industrial de Mato Grosso (LIMT). A partir da década de 1940, o ensino nacional passou por uma reforma denominada Reforma Capanema. Por meio dela, o LIMT transformou-se em Escola Industrial de Cuiabá (EIC), em função do Decreto-Lei nº 4.127, de 25 de fevereiro de 1942. A escola passou, assim, a oferecer o ensino profissional com cursos industriais básicos e de mestria de alfaiataria, sapataria, artes do couro, marcenaria, serralharia, tipografia e encadernação. Através da Lei nº 3.552, de 16 de fevereiro de 1959, a EIC adquiriu personalidade jurídica própria e autonomia didática, administrativa, técnica e financeira. Com a expedição da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961, passou a oferecer o ensino profissional com cursos ginasiais industriais equiparados aos de 1º grau do ensino médio. Em 20 de agosto de 1965, transformou-se em Escola Industrial Federal de Mato Grosso (EIFMT), em função da Lei n.º 4.759. Três anos depois, a Portaria Ministerial n.º 331, de 17 de junho de 1968, alterou a lei anterior e a escola industrial passou a denominar-se Escola Técnica Federal de Mato Grosso (ETFMT). Com a reforma do ensino de 1º e 2º graus (antigos ginasial e colegial), introduzida pela Lei 5.692, de 11 de agosto de 1971, a ETFMT acabou de vez com os antigos cursos ginasiais industriais (1° grau), e passou a oferecer o ensino técnico de 2º grau integrado ao propedêutico. Além disso, deixou de atender, especificamente, alunos do sexo masculino, com a aceitação de mulheres nos referidos cursos. Com o advento da Nova LDB nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, o ensino profissional deixou de ser integrado ao propedêutico e a ETF passou a oferecer, separadamente, o ensino médio (antigo propedêutico) e o ensino profissional de nível técnico e nível básico. Pelo Decreto Presidencial de 16 de agosto de 2002, publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 19 de agosto de 2002, a ETFMT transformou-se em Centro Federal de Educação Tecnológica de Mato Grosso, nos termos da Lei n.º 8948/94. A partir daí, além do ensino médio e do ensino profissional de nível técnico e básico, a Instituição passou a oferecer o ensino profissional de nível tecnológico e a pós-graduação em nível Lato Sensu. Através da Lei nº 11.892, de 29/12/2008, publicada no DOU de 30/12/2008, é criado o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT), mediante integração dos Centros Federais de Educação Tecnológica de Mato Grosso e de Cuiabá, e da Escola Agrotécnica Federal de Cáceres. DC ILUSTRADO: Para os estudiosos nada é longo se o assunto é educação... REITOR: Tenho dito o que todos sabem e muitos não acreditam: o futuro do Brasil está na educação. Ou insistimos com a juventude ou paramos no tempo. E o maior, melhor e único investimento de retorno garantido é aquele que se faz na educação. Felizmente a nossa presidente Dilma elegeu a educação como uma das bandeiras do seu Governo. DC ILUSTRADO: Em quais cidades já está atuando o Instituto? REITOR: São onze campi. Em Cuiabá temos o campus Octayde e o Bela Vista, São Vicente (antiga escola agrotécnica), Cáceres (antiga escola agrotécnica), Pontes e Lacerda, Juína, Campo Novo do Parecis, Sorriso, Confresa, Barra do Garças e Rondonópolis. Em instalação temos os campus de Primavera do Leste, Várzea Grande, Alta Floresta, Diamantino, Tangará da Serra e Lucas do Rio Verde. Existem ainda núcleos avançados, ligados a um campus: São Vicente abrange Jaciara e Campo Verde, Pontes e Lacerda atua em Jauru, Campo Novo do Parecis em Sapezal. Também mantemos o ensino à distância que funciona pela Internet e o aluno estuda em casa. Os dois campus de Cuiabá são os responsáveis pelo setor. O Octayde ministra sistema de internet e o Bela Vista licenciatura em Química. Esse modo de ensino à distância está presente em São Félix do Araguaia, Ribeirão Cascalheira, Primavera do Leste, Cuiabá, Pontes e Lacerda, Barra do Bugres, Juara e Matupá. DC ILUSTRADO: Sinop é uma importante cidade de Mato Grosso e está sem a presença do Instituto REITOR: Realmente, a única grande cidade de Mato Grosso onde o Instituto não chegou é Sinop. Estamos aguardando a determinação de Brasília nesse sentido pois, cabe ao Ministério a decisão de escolher os locais onde instalar o Instituto. DC ILUSTRADO: Quantos professores estão trabalhando no IFMT? REITOR: Até 31 de dezembro passado tínhamos um corpo docente com 760 professores dos quais 103 são doutores e 350 são mestres, representando 61% do total. Todos eles são concursados. Além desse contingente temos professores temporários e substitutos em número de 150 mas que passam por processo seletivo para ingresso. DC ILUSTRADO: É uma estrutura enorme, pois não? REITOR: Olha Evaldo, nós temos trabalhado muito anonimamente. Estamos fazendo com esta entrevista uma verdadeira radiografia da nossa instituição. Atendemos uma população estudantil de 16.000 alunos e contamos com 600 servidores para o trabalho de apoio. DC ILUSTRADO: Quais são os cursos oferecidos pelo IFMT? REITOR: São os mais diversos ministrados nos onze campi. Optamos por oferecer cursos de acordo com as necessidades locais, fazendo o Instituto interagir com a sociedade. Neste aspecto, por ser uma relação enorme de cursos, recomendo a consulta dos interessados ao nosso endereço eletrônico com a Assessoria de Comunicação Social: [email protected]. DC ILUSTRADO: Trabalho nós estamos vendo que está sobrando. E o salário professor Bispo. REITOR: Não é o desejável, reconheço. Mas também não é dos piores. O mais alto salário, pago a um professor com título de doutor em fim de carreira está em R$ 12.000,00 e o inicial para dedicação exclusiva R$ 4.000,00. DC ILUSTRADO: O prédio também está acanhado para a grandeza e a importância do Instituto. REITOR: De fato estamos mal acomodados. Até a pró Reitoria de Ensino está instalada nas dependências do campus Bela Vista, e isso atrapalha o nosso trabalho que exige urgência frequente. Estou postulando junto ao Ministério a locação de um prédio com área compatível às nossas necessidades. Mas a solução virá mesmo com a construção da sede própria cujo terreno já é da nossa propriedade. DC ILUSTRADO: Uma pergunta indiscreta: o sr. é a favor da greve? REITOR: Sou contra. A grave é muito prejudicial à sociedade como um todo. Veja você que somente agora, quase no mês de junho, o campus Cuiabá está iniciando o ano letivo de 2013. Isso é altamente danoso para todos. Aliás, o professor tem um conteúdo programático a cumprir. Fazendo greve ele tem que repor as aulas, diferentemente de outros servidores públicos. Nossas ferramentas de trabalho são a fala e a escrita. Então, ao invés da paralisação, o melhor é dialogar fundamentadamente. DC ILUSTRADO: Sinceramente, o sr. acha o ensino de hoje melhor que o de ontem? REITOR: Infelizmente o ensino hoje é pior do que ontem. Por exemplo: antigamente os alunos da antiga Escola Técnica Federal entravam nas Universidades sem fazer cursinhos. Hoje, acho que muitos não querem aprender, querem apenas o diploma, lastimavelmente. CONCLUSÃO: Nesta altura da vida, quando iniciamos a viagem de volta rumo ao desconhecido, sentimos um orgulho imenso como ex-professor que teve a ventura de entrevistar um ex-aluno que se tornou merecidamente Magnífico Reitor. O Reitor José Bispo Barbosa foi nosso aluno na antiga Escola Técnica Federal de Mato Grosso e nesse nosso reencontro relembramos o quanto vale a pena perseguir os sonhos que embalam nossa vida. E como vale... O Prof. José Bispo Barbosa é um vitorioso. Humilde sem nunca ter sido humilhado, chegou à Reitoria pelo voto direto e secreto de seus pares professores, servidores e alunos do Instituto numa eleição concorrida e limpa. Decerto que, pelos seus méritos pessoais, mereceu a vitória consagradora inscrevendo o seu nome na história como o 1º Reitor do IFMT. Plantou, regou e colheu no jardim de sua existência as flores que a vida digna e honrada produziu. Parabéns Magnífico Reitor!.

Edição EDIÇÃO 16961




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