ILUSTRADO
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014, 20h:23
A
A
ESTREIAS VARIADAS
Quinta sem clichê de Natal
Semana de estreias que inclui a data simbólica do nascimento de Jesus tá feito ele: universal. Tem de tudo pra quem gosta e aceita
Rafa Gomes Caetano/Rodivaldo Ribeiro
Especial para o DC Ilustrado/Da Editoria
Como já era esperado, a quinta-feira de estreias natalina está recheada de vários gêneros. Se Cuiabá fizesse parte do resto do circuito nacional, haveria inclusive um filme infanto-juvenil brasileiro, O Segredo dos Diamantes, mas sabemos não ser esse o caso. Então, do próximo parágrafo em diante, dois filmes que estreiam com certeza por aqui e outros que provavelmente estrearão. Sem esquecer da pré-estreia confirmada de Êxodo Deuses e Reis, em salas dos três cinemas comerciais da capital. É isso. E feliz Natal cinematográfico. A Noite da Virada Durante uma festa de réveillon na casa de Ana (Julia Rabello) e Duda (Paulo Tiefenthaler), o banheiro é o foco de todas as fofocas e polêmicas. É onde Duda confessa à esposa que vai deixá-la pela vizinha Rosa (Luana Piovani), que, por sua vez, leva um casamento bem monótono com Mario (Marcos Palmeira). É também onde Alê (Luana Martau) conta a Ana suas aventuras sexuais com o namorado (João Vicente de Castro), e onde um convidado traficante (Taumaturgo Ferreira) faz os seus negócios. Por que vale a pena? Não há nada de novo. Várias histórias, relativamente conectadas umas nas outras, que buscam algum desfecho emblemático ou memorável para o fim do ano. Seja este vindo por meio de resoluções, promessas, compromissos ou recomeços, a noite que antecede os minutos cruciais da virada do ano serve para realizar e completar tudo que parece que ficou em coma ao longo dos 364 dias anteriores. Reprisando o estilo batido que acompanha as Romcoms (comédias românticas) que antecedem o Natal ou o Dia dos Namorados (Simplesmente Amor e Idas e Vindas do Amor, de 2003 e 2010 respectivamente), A Noite da Virada faz uma adaptação brasileira do que vimos em 2011, tentando trazer para o cerne nacional a nossa cultura de comemoração anual e os conflitos românticos/pessoais típicos das três obras recém-citadas. Direção: Fábio Mendonça. Elenco: Luana Piovani, Marcos Palmeira, Júlia Rabello, Paulo Tiefenthaler. Gênero: Comédia. País: Brasil. As Duas Faces de Janeiro Nos anos 1960, o jovem casal Chester e Colette decide fazer uma viagem de barco à Grécia. No local, eles conhecem Rydal, um guia americano que fala grego e decide ajudá-los no passeio. O que eles não sabem é que Rydal é conhecido por aplicar golpes nos turistas. Mas Chester e Colette também têm os seus segredos, e certa noite, quando o guia decide visitá-los em seu quarto de hotel, descobre o cadáver de um homem que Chester afirma o ter atacado. Sem saber como sair da situação, Rydal ajuda a remover o corpo. Logo, o trio acaba envolvido em um crime do qual não pode mais fugir. Por que vale a pena? Aqui temos duas figuras que de alguma forma marcaram nossas trajetórias cinematográficas. Kirsten fez desde Entrevista com Vampiro (1994) a Jumanji (1995), figurando nosso imaginário infantil como ninguém. Já Viggo foi Passolargo até se tornar Aragorn na trilogia de O Senhor dos Anéis. Dois atores marcantes que nos entregaram personagens igualmente importantes. Houve boatos de que Kirsten Dunst estava sumida, mas quem de fato se ausentou do cinema por um tempo foi Viggo, que volta após pouco mais de um ano sem aparecer como deveria num thriller que engloba um triângulo amoroso, com a presença do talentoso Oscar Isaac. Vemos o melhor dos dois mundos unidos em uma obra só: atores com apelo cult e atuações que seguem o mesmo padrão em uma trama que flerta com o suspense blockbuster, mas que garante seu efeito cult trazendo tudo para a década de 60. Mais cult que isso só juntar todos na Nova York dos anos 80, entre grafites pesados do metrô local e becos com alto índice de dependentes químicos. Direção: Hossein Amini. Elenco: Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Oscar Isaac, Daisy Bevan. Gênero: Suspense. País: EUA. O Abutre Enfrentando dificuldades para conseguir um emprego formal, o jovem Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) decide entrar no agitado submundo do jornalismo criminal independente de Los Angeles. A fórmula é correr atrás de crimes e acidentes chocantes, registrar tudo e vender a história para veículos interessados. Por que vale a pena? Filmes com temática jornalística são sempre um atrativo particular para aqueles que são da área. Talvez seja pelo fato das peças consumarem alguns desejos repreendidos ou simplesmente por trazer à tona uma versão romanceada do que gostaríamos de ser, mas por algum motivo (ou transformações no mundo), não conseguimos. Em Nightcrawler (o título original merece ser lido, pois é lindo), temos o charmoso Jake Gyllenhaal como um jornalista investigativo, daqueles que sai do campo de observador e passa a acompanhar seu objeto de trabalho com uma precisão quase cirúrgica. Com um empenho espetacular em dar vida à Louis Bloom, Jake optou por perder 10 quilos (algo que ele incrementou à caracterização do protagonista) e se entregou ao personagem intensamente, como vimos com brilhantismo em Donnie Darko (2001). Jake faz de O Abutre seu grande passaporte para uma indicação ao Oscar, à medida que o thriller tenta abocanhar os amantes do gênero e os olheiros cults. Seleção oficial do Festival de Cinema de Toronto, O Abutre já ganhou o mundo indie e parece estar pronto para fazer o mesmo com o público geral. Uma Longa Viagem Desde a sua juventude, Eric Lomax foi obcecado por trens. Ironicamente, ele foi capturado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial e enviado à Tailândia para trabalhar no famoso trem Burma-Sião, o projeto tirânico que acabou com a vida de 250 mil homens. Neste local ele construiu um rádio para trazer notícias da guerra e secretamente desenhou um mapa dos trilhos. Por esta razão, Lomax foi brutalmente e incessantemente torturado e interrogado. Por que vale a pena? O tema do reencontro entre torturador e personagem, presentes em Uma Longa Viagem (um jovem soldado japonês presencia impassível o sofrimento de Lomax, que resolve ir confrontá-lo 50 anos depois) rende literariamente, especialmente para nós, que acabamos de ver terminar a tal da Comissão da Verdade sem muita verdade apurada e claramente falha pra não implicar ninguém mais. Somos, aliás, o único país das Américas que fez isso. E tem a Nicole Kidman, que mesmo em um filme mudo, é melhor que 95% das atrizes da geração atual e do que pelo menos metade da geração dela. E sim, contando com a Jennifer Lawrence. Dirigido por Jonathan Teplitzky. Elenco: Colin Firth, Nicole Kidman, Jeremy Irvine e outros. Gênero: Drama biográfico. Produção: Austrália/ Reino Unido.