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Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 06 de Junho de 2009, 16h:23

CRÔNICA

Quantas Vezes...

Luís Gonçalves*
Especial para o Diário de Cuiabá
Investimos no certo e acabamos na cama com o duvidoso? Apostamos que podemos viver um grande amor dormimos embalados em sonhos e acordamos em desespero? De repente, a força que impele adiante também leva a inércia. Amar as vezes é renunciar. Deixar alguns pontos tradicionais por outros não tão convencionais. Inoportunos, porém necessários. Se entregar a euforia que dirige para lugar algum onde o vento faz a curva. Levando beijos e colhendo abraços. Onde o sorriso domina e pinta a face de vermelho numa magia quase inevitável. Prende a respiração e dilata a ansiedade. Transforma os detalhes importantes em simples expectativas. Leva aquelas coisas tão banais a navegarem por uma eternidade que engole a razão e fatia os sentidos. Amar as vezes pode ser um movimento de alma. O real sentido da vida. É dizer não as vaidades e enfrentar um novo momento. Talvez viver um velho momento com a sensação de tudo novo. O amor vem sempre para comemorar um novo período e dar licença para quem realmente quer ir a luta. Um motivo para mudar a roupa e culpar a estação. Amar é como a menstruação que ensaia a primeira vinda sem aviso prévio e permanece algumas décadas como a dona do pedaço. Dita as regras e impõem o ritmo. Não importa a época exata, o período amoroso faz parte do resultado participativo; da intensidade e do compromisso. O amor não cansa, dá um tempo. Um período em que a ilusão toma conta do peito e arranca suspiros dengosos. Leva tudo para o espaço do que foi, será. Renuncia a comodidade da solidão para dedicar ao flagelo do peito calejado; das unhas ruídas; mãos encharcadas em suores... Para o peito contaminado com o amor sonhar na escuridão é perfeito. Com uma lanterna, é mágico. A renúncia amorosa é mais cara que a conquista. É um fardo pesado que permanece. Não dá escolha e faz o amante pensar que sofrer a dois é uma aventura. Algo belo. Que a longa estrada é apenas um pretexto prazeroso para deixar o estacionamento. Amar é como colocar um chapéu e curtir o sol sem se preocupar com o bronzeamento. Acontece que o amor há muito deixou de ser uma fábrica de sonhos e conseguiu investir na programação visual. Aquele discreto álibi de transformar o relacionamento em pratos limpos. Num relacionamento tradicional o amor não é tudo nem está pra brincadeira. Já não existe credencial para o amante perfeito e nem um episódio único. Existe somente a vontade de amar. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16962




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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