NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 12 de Junho de 2010, 15h:54

ESCULTURA

Projetos celebram obra de Amilcar de Castro

Roberta Pennafort
Agência Estado
Amilcar de Castro (1920-2002) completaria 90 anos. Se estivesse vivo, provavelmente passaria boa parte da data em seu ateliê, na cidade de Nova Lima, a meia hora de carro de casa, em Belo Horizonte - hoje transformado no Instituto Amilcar de Castro, que cuida de seu legado artístico. Até o fim da vida, o artista que dobrava ferro como se fosse uma folha de papel se dedicava ao ofício de escultor. "Não há mistério numa chapa de ferro", gostava de dizer. Uma série de homenagens decorrem da efeméride. No Sul de Minas Gerais, sua cidade natal, a pequena Paraisópolis, dá início amanhã à 2ª Semana Amilcar de Castro. Até sábado, os moradores se mobilizam em exposições e saraus. O artista da terra inspira os alunos das escolas municipais e estaduais a criarem o que quiserem. No ano passado, a iniciativa contou com a presença dos filhos de Amilcar, que se emocionaram com o que viram. Os três, Rodrigo, Ana Maria e Pedro (hoje presidente do instituto), tocam projetos relacionados à obra do pai. Com a colaboração dos poetas Ferreira Gullar, amigo de Amilcar desde os anos 60, quando ambos estiveram à frente do Movimento Neoconcretista, e Augusto Sérgio Bastos, Ana está organizando um livro com suas poesias. Ele deixou cadernos manuscritos e datilografados com escritos produzidos ao longo da vida toda. "Em grande parte eles são relacionados com elementos de sua obra: escultura, linha, cor, gravura. Mas também há questionamentos sobre a vida. A princípio ia se chamar 'Poesia - Amilcar de Castro', mas o Gullar me explicou que nem toda poesia é poema, e nem todo poema é poesia...", conta Ana, que vai lançá-lo no fim do ano. A ideia inicial era que saísse por ocasião dos 90 anos de nascimento de Amilcar, mas faltou recursos para tanto. Este também é um percalço por que passa o crítico José Francisco Alves, que há dois anos tem pronto o livro "Obra Pública de Amilcar de Castro", mas não consegue lançá-lo por falta de um patrocinador. A publicação reúne fotografias de dezenas de obras de Amilcar presentes em ruas e praças do Brasil e do mundo (Alemanha, Venezuela, Japão). A maior concentração é em sua Minas Gerais, sendo a mais significativa a que fica em frente à Assembleia Legislativa do Estado, de seis metros de diâmetro. "É de uma simplicidade fantástica, como um origami monumental", diz Alves. Era uma das favoritas do artista, que não cogitava parar de trabalhar, ainda que tenha tido problemas de visão já mais velho. "Ele dizia pra mim: ‘Se você fizer um pouco todo dia, logo vai perceber que fez muito’", lembra Rodrigo, o filho mais velho, que está coordenando a segunda edição de um livro retrospectivo de sua obra. Silvio Tendler quer levá-la ao cinema, num documentário que terá em Gullar e em Waltercio Caldas, outro amigo e interlocutor de Amilcar, figuras importantes. "Quero fazer uma ode, mostrar a relação de suas obras com o ambiente, revelar o artista completo, que não deixa sua arte enjaulada. Esse é o lado mais bonito do trabalho dele".

Edição EDIÇÃO 16968




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL