Ney Arruda professor, músico e advogado cuiabano (
[email protected]) Especial para o Diário de Cuiabá Apresentação de bandas do roquenrou nacional também faz parte da cultura popular. Esta manifestação das tradições musicais e suas variações integram a idéia dos costumes de um povo. Pois é, sábado passado a Skol deu uma aula de como se faz um grande evento para massas. É bom que se diga que o show não só atingiu a juventude cuiabana. Vez que ele se deu no estacionamento de uma universidade em Várzea Grande. Então, na verdade, a população mato-grossense foi prestigiada pela organização dessa atividade musical. Desde o princípio sentia-se que o ambiente estava bem seguro, dado o contingente de homens da segurança particular no local. Outro fator que contribuiu para a tranqüilidade foi o fato de que não se permitiu a entrada de menores de 18 anos. Quem não estava com sua carteira de identidade teve que ir em casa buscá-la. Olha a idealização das Agências B/Ferraz e F/Nazca. A cidadela montada pela Skol lembrou os áureos tempos do Rock in Rio. Claro que guardando as devidas proporções. O equipamento de som parecia ter saído da embalagem naquela tarde. Soava como novinho. Não se ouvia nenhum pau no som. Que me lembre, tudo rolou como na proposta de merchandising: um show redondo. Canhões de luz nas bordas do palco fixo central iluminavam o céu. De longe, muito antes da ponte Sérgio Motta, já se avistava se me permitem a bebemoração roquística. O design do palco chamava a atenção de todos. Do camarote vip da Skol, entre beldades do jet set da capital e latas gratuitas do precioso líquido, se podia ter uma idéia genérica do evento. Tudo foi bem planejado: a galera lá embaixo toda uniformizada dançava um tribal tentador entre um show e outro. A Vanguart veio e matou as saudades de seu público cativo. Eles residem hoje em São Paulo e estão na estrada lapidando seu pop-folk. A gurizada tá com tudo e não faz prosa. As ondas sonoras eletrizavam a grande platéia. Circulamos bastante por entre os pagantes. Aliás, se esperavam 20 mil pessoas, mas a bilheteria acusou só 08 mil presentes e adeptos das folias da música pop dançante. O ingresso de 40 reais e 10 pilas para estacionar deve ter espantado um pouco os interessados. Daí o clima favorável à descontração, onde não se viu uma briga ou algazarra de ninguém. A banda Blitz mimou os trintentões que curtiram seus hits dos anos 80. Evandro Mesquita reeditou bem o conjunto que tocou de forma contagiante. A música eletrônica divertiu no sentido de que todos não paravam um minuto entre uma banda e outra. Suas versões house, techno, mix-rave, electro-house, breakbeat, techno-house fazem refletir sobre a invasão lingüística e rítmica que sofremos. Elas nos assolam quase que de forma imperceptível. São expressões do NeoColonialismo Cultural do qual o país é bombardeado lentamente. Mas não era para dançar? Então, vamos nessa! Foi o 1.º grande show do ano numa noite fresquíssima. Já na madrugada do domingo era a vez da banda Capital Inicial. Bom, nessa altura do campeonato, a galera já meio manguaçada se comportou até muito bem. Assim, não foi a-que-le espetáculo, do tipo brastemp prometido e ventilado pela mídia. Eles cantaram seus velhos sucessos e tocaram coisas novas. Só isso. Até que o vocalista Dinho disparou uma de suas pérolas favoritas: - Pessoal, Cuiabá é do cara.... A turmada já meio anestesiada nem reagiu a essa amabilidade. Como fez o povo no BMF Brasília Music Festival em 2003 que vaiou o cara até ele se retratar. Tirando essa parte meio Epa! da caminhada atrás do trio eletrônico e da lata gigante, o show foi legal. O Movimento Skol arrasou com a cara da concorrência em MT. Ainda que venha com essa nova ideologia do chamado consumo responsável. Ora, quem beber não dirige em hipótese alguma e ponto final. Conscientização pública é entregar a chave do carro para alguém,né? * Ney Arruda é professor, músico e advogado cuiabano (
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