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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 19 de Maio de 2007, 13h:18

RESENHA

Projeto da Skol chacoalha a Capital

A cidadela montada pela fabricante de cerveja lembrou os áureos tempos do ‘Rock in Rio’, claro que guardando as devidas proporções

Ney Arruda – professor, músico e advogado cuiabano ([email protected]) Especial para o Diário de Cuiabá Apresentação de bandas do ‘roquenrou’ nacional também faz parte da cultura popular. Esta manifestação das tradições musicais e suas variações integram a idéia dos costumes de um povo. Pois é, sábado passado a Skol deu uma aula de como se faz um grande evento para massas. É bom que se diga que o show não só atingiu a juventude cuiabana. Vez que ele se deu no estacionamento de uma universidade em Várzea Grande. Então, na verdade, a população mato-grossense foi prestigiada pela organização dessa atividade musical. Desde o princípio sentia-se que o ambiente estava bem seguro, dado o contingente de homens da segurança particular no local. Outro fator que contribuiu para a tranqüilidade foi o fato de que não se permitiu a entrada de menores de 18 anos. Quem não estava com sua carteira de identidade teve que ir em casa buscá-la. Olha a idealização das Agências B/Ferraz e F/Nazca. A cidadela montada pela Skol lembrou os áureos tempos do ‘Rock in Rio’. Claro que guardando as devidas proporções. O equipamento de som parecia ter saído da embalagem naquela tarde. Soava como novinho. Não se ouvia nenhum ‘pau’ no som. Que me lembre, tudo rolou como na proposta de ‘merchandising’: um show redondo. Canhões de luz nas bordas do palco fixo central iluminavam o céu. De longe, muito antes da ponte Sérgio Motta, já se avistava – se me permitem – a “bebemoração roquística”. O ‘design’ do palco chamava a atenção de todos. Do camarote vip da Skol, entre beldades do ‘jet set’ da capital e latas gratuitas do precioso líquido, se podia ter uma idéia genérica do evento. Tudo foi bem planejado: a galera lá embaixo toda uniformizada dançava um ‘tribal’ tentador entre um show e outro. A Vanguart veio e matou as saudades de seu público cativo. Eles residem hoje em São Paulo e estão na estrada lapidando seu ‘pop-folk’. A gurizada tá com tudo e não faz prosa. As ondas sonoras eletrizavam a grande platéia. Circulamos bastante por entre os pagantes. Aliás, se esperavam 20 mil pessoas, mas a bilheteria acusou só 08 mil presentes e adeptos das folias da música pop dançante. O ingresso de 40 reais e 10 ‘pilas’ para estacionar deve ter espantado um pouco os interessados. Daí o clima favorável à descontração, onde não se viu uma briga ou algazarra de ninguém. A banda Blitz mimou os ‘trintentões’ que curtiram seus ‘hits’ dos anos 80. Evandro Mesquita reeditou bem o conjunto que tocou de forma contagiante. A música eletrônica divertiu no sentido de que todos não paravam um minuto entre uma banda e outra. Suas versões “house, techno, mix-rave, electro-house, breakbeat, techno-house” fazem refletir sobre a invasão lingüística e rítmica que sofremos. Elas nos assolam quase que de forma imperceptível. São expressões do ‘NeoColonialismo Cultural’ do qual o país é bombardeado lentamente. Mas não era para dançar? Então, vamos nessa! Foi o 1.º grande show do ano numa noite fresquíssima. Já na madrugada do domingo era a vez da banda ‘Capital Inicial’. Bom, nessa altura do campeonato, a galera já meio ‘manguaçada’ se comportou até muito bem. Assim, não foi a-que-le ‘espetáculo’, do tipo ‘brastemp’ prometido e ventilado pela mídia. Eles cantaram seus velhos sucessos e tocaram coisas novas. Só isso. Até que o vocalista Dinho disparou uma de suas pérolas favoritas: “- Pessoal, Cuiabá é do cara...”. A turmada já meio anestesiada nem reagiu a essa ‘amabilidade’. Como fez o povo no BMF – Brasília Music Festival em 2003 que vaiou o cara até ele se retratar. Tirando essa parte meio “Epa!” da caminhada atrás do trio eletrônico e da lata gigante, o show foi legal. O Movimento Skol arrasou com a cara da concorrência em MT. Ainda que venha com essa nova ideologia do chamado “consumo responsável”. Ora, quem beber não dirige em hipótese alguma e ponto final. Conscientização pública é entregar a chave do carro para alguém,‘né’? * Ney Arruda é professor, músico e advogado cuiabano ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16968




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