ILUSTRADO
Sexta-feira, 09 de Março de 2007, 21h:06
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PÓS-GRADUAÇÃO
Produção de cinema é módulo de curso
A experiente produtora de cinema, Assunção Hernandez, repassa seus conhecimentos aos estudiosos da sétima arte de Mato Grosso neste final de semana
Durante toda a trajetória do cinema brasileiro, várias mulheres se destacaram como produtoras, posição fundamental para a concretização dos projetos de cineastas das mais diferentes vertentes. Uma das mais respeitadas produtoras da sétima arte, Assunção Hernandez, estará em Cuiabá no final de semana para ministrar o módulo Como é Fazer Cinema no Brasil A visão do produtor, no curso de pós-graduação em Cinema, realizado no Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC). Segundo o secretário da Cultura de Cuiabá, Mario Olimpio, o curso possibilita o intercâmbio de idéias com os profissionais mais respeitados na cinematografia brasileira. "Imagina reunir numa grade de professores nomes como Assunção Hernandez, Cacá Diegues, Maurice Capovilla, Nelson Pereira dos Santos, entre outros, todos referências em sua área de atuação", destacou o secretário. Assunção Hernandez tem um currículo extenso, expressivo e premiado a serviço do cinema nacional. Formada pela USP e pela PUC, produziu cerca de 32 filmes de longa, média e curta metragem, trabalhou com diretores consagrados e lançou cineastas estreantes . Seu nome está intimamente ligado ao cineasta João Batista de Andrade, com quem fundou em 1975 a Raiz Produções Cinematográficas. Esse encontro colocou nas telas dois filmes essenciais na história do cinema: "Doramundo", em 1978 Melhor Filme no Festival de Gramado; e "O Homem que Virou Suco" (1981) Medalha de Ouro no Festival de Moscou. Outro bom momento é em "A Próxima Vítima", em 1983. Assunção Hernandez assina a produção dos demais filmes de João Batista de Andrade, "Céu Aberto" (1985), "O País dos Tenentes" (1987), "O Cego que Gritava Luz" (1997) e "O Tronco" (1999). Além de João Batista de Andrade, Assunção Hernandez vem marcando presença também em filmes de dois cineastas autorais: Guilherme de Almeida Prado e Suzana Amaral. Para Guilherme de Almeida Prado, Hernandez assinou a produção do premiado "A Dama do Cine Shangai, em 1987, grande sucesso no Festival de Gramado. Em 1992 e 1998 volta a fazer parceria como Almeida Prado, respectivamente, em "Perfume de Gardênia" e "A Hora Mágica". Em 1985, Suzana Amaral sensibiliza o país com sua delicada adaptação de "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector, em filme homônimo protagonizado por Marcélia Cartaxo, José Dumont e Tâmara Taxman. E é Assunção Hernandez quem assina essa produção que obteve repercussão internacional pela qualidade do filme e pelo prêmio de Melhor Atriz no Festival de Berlim para Marcélia Cartaxo. Em 2001, Assunção Hernandez volta a produzir o novo longa de Suzana Amaral, "Uma Vida em Segredo", dessa vez uma adaptação do livro de Autran Dourado. Depois de produzir o primeiro longa-metragem dirigido pela atriz internacional Florinda Bolkan, "Eu Não Conhecia Tururu", Assunção Hernandez produz, em 2003, "De Passagem", filme premiado no Festival de Gramado e que marca a estréia de Ricardo Elias em longas. "Brasa Adormecida" (1987), de Djalma Limonge Batista, "Lua Cheia" (1989), de Alain Fresnot, "Real Desejo" (1990), de Augusto Sevá, e os curtaz "O Nariz" (1988), de Eliane Caffé e "Chateaubriand - Cabeça de Paraíba" (2000), de Marcos Manhães Marins são outros trabalhos em que Assunção Hernadez atuou. Assunção foi premiada com o troféu Humberto Mauro (Destaque de Produção), como o Prêmio Lei Sarney em 1987 e 1988, foi distinguida com o prêmio Governador do Estado de São Paulo 1988 pelo incentivo à produção do cinema paulista e recebeu o Prêmio Lumiére (concedido pela Air France) de melhor produção em 1989. Política é um assunto de primeira ordem para Assunção Hernandez, o que a levou também para a presidência da CBC Congresso Brasileiro de Cinema. "F oi presidente do Sindicato da Indústria Cinematográfica do Estado de São Paulo (2000 a 2003), presidente do Congresso Brasileiro de Cinema ( 2002 a 2003) e integrou o Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional. Hoje é membro do Conselho Consultivo do Congresso Brasileiro de Cinema- CBC, e vice-presidente da FIPCA - Federação Iberoamericana de Produtores de Cinema e Audiovisual", informou o diretor do Misc, José Paulo Traven. O curso de pós em cinema é uma parceira entre a AMAV/ABD-MT, DBorges - Assessoria e Produção, Prefeitura de Cuiabá, Museu da Imagem e do Som (Misc), Secretaria da Cultura de Cuiabá, Governo do Estado e Unic.