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Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 18 de Julho de 2009, 13h:26

CRÔNICA

Por uma questão de ética

Jê Fernandes*
Especial para o Diário de Cuiabá
Sinceramente, estivesse vivo o meu amigo de ‘república’, em tempo de estudante no Rio de Janeiro, o psiquiatra João Fernando e, eu estaria no seu consultório querendo saber dele sobre minha sanidade mental. É isso mesmo! Já não estou entendendo ou querendo entender certas coisas que ando escutando, vendo e sentindo no dia-a-dia da vida e pela vida. Por exemplo; não sei se a demência faz com que eu coloque em dúvida aquela propaganda institucional do governo Lula mostrando um casal jovem que vive, alegremente e feliz com apenas dois salários mínimos. E agora acabou de comprar uma casinha. Faz supermercado, estuda e está feliz da vida. É claro! Feliz a gente pode ser independente do que se ganha, do dinheiro, mas com dois salários mínimos eu acho que não dá para sonhar! Está mais para pesadelo. Pode ser uma propaganda mentirosa! Aliás, é o que mais se vê da maioria das instituições e poderes públicos. Começa por aquela tipo ‘casa do povo’, ‘lugar cidadão’, ‘nóis faz’ e, por aí vai. Certo tipo de povo imagina estar feliz ou ser feliz com o que os governantes realizam. E deveriam realizar mais se não fossem os 20 por cento que empobrece a decência e enriquece os Sarneys, exemplo do momento, e outros homens públicos que estão por aí, na nossa cara. Mas deixa isso pra lá. Ah! Também conversaria com o meu amigo psiquiatra João Fernando sobre essa questão da ética. Dei os primeiros passos no campo da ética, ainda quando guri e, tendo como professor Francisval de Brito que ministrava aula de Filosofia. E a questão da ética chega a ser filosófica. Agora, o que anda me intrigando é essa Comissão de Ética da Câmara Municipal de Cuiabá, nem entro nos méritos em outras comissões de outros poderes. Por exemplo: aquele vereador que participa da comissão, cujo nome é Domingos Sávio (não o garoto que virou Santo) que estava com o Ralf na noitada, na Lagoa do Manso, acompanhado de mulheres de ‘segunda ou gordas’, como andaram dizendo, éticamente, deveria se afastar da Comissão que julga ou julgará o Ralf! Mas sabe lá o que esses rapazes da Comissão entendem de ética? De tudo que eu já disse, tenho quase certeza que o psiquiatra João Fernando diria para mim, acima da sua sabedoria psiquiátrica: ‘não procure entender o óbvio ululante’, como diria Nelson Rodrigues. Em continuando a nossa conversa sobre ética e propaganda devo dizer que recomendo para algumas pessoas em dúvida com o procedimento ético que leia os livros ‘Elogio a Loucura’ de Erasmo de Roterdam, ou quem sabe; ‘Tratado Político’ ou ‘Ética’ de Spinoza. Faça isso nas horas vagas quando não se tem novela na televisão. *Jê Fernandes é jornalista, radialista, poeta, cronista, conversador fiado e colabora com o DC Ilustrado (E-mail: [email protected])

Edição EDIÇÃO 16962




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