NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 05 de Maio de 2012, 13h:45

CRÔNICA

Pontos Claros e Escuros

Luís Gonçalves*
Especial para o Diário de Cuiabá
Apesar da redentora era digital, ainda há pouco volume de resultado positivo do produto cultural dispensado a comunidade. Houve, sem dúvida, um crescimento acentuado e a socialização de diversos eventos que penetraram em local antes virgem. Porém, a efervescência inicial acomodou toda essa animosidade em pontos estratégicos. Recriando novamente pontos claros e escuros no mapa da moderna movimentação artística. Entretanto, o produto cultural continua o mesmo. O que realmente cresceu foi o mercado e naturalmente a valorização da nova vitrine. Atualmente se fala mais e discute mais cultura. Há sempre um crescente número de pessoas engajadas fazendo circular em tom maior o pensamento filosófico. A pluralidade agradece. Porém, é exatamente essa gratuidade que acaba vazando a nítida impressão que a economia de cultura literalmente não conseguiu acompanhar o processo. Talvez até pela falta de intimidade. Pois, até recentemente tudo era muito precário e cheirava naftalina. Fato que confirma a necessidade de focar mais a discussão no fator distribuição. A geração de rendas através da circulação do produto cultural gera equilíbrio fiscal ao produtor cultural. Sendo possível oferecer real condição de o artista vir a sobreviver a partir da própria arte em curto prazo. Propiciando a acomodação de outros valores e investigações amplas. Enquanto o artista se auto-consome em contínuo processo de doação e troca, se entrega a um círculo vicioso sem lastro final. Exposto a toda fragilidade que o processo apresenta. O que leva a contabilizar grande desistência e resistência profunda diante da situação. A era digital trouxe uma sensível fragmentação das bases de criação. Quem possui maior volume de trabalho alcança distanciamento considerado rápido e eficiente. Sendo que nem sempre essa quantidade representa qualidade. Porém, o aceite é devido à proximidade da contemplação de resultados positivos frente ao mecanismo em execução. O posicionamento dentro da nova plataforma exige qualificação contínua e total disponibilidade para a prática. Caso aumente essa distância, logo haverá a necessidade da criação de postos de “olheiros” descobridores de talentos tal qual se apresenta o futebol profissional. O que não impede que em cada esquina tenha lá seu time de peladeiros de final de semana e o tradicional “racha” de várzea. Sendo o assunto cultura tudo tem que ser mais difícil. Quando não havia socialização da informação todos eram unânimes em elegerem a oxigenação como ideologia social da comunidade artística. Assim foi possível inseminar um pensamento plural que fez da coletividade um complexo mecanismo de auto-consumo. No entanto, o acentuado crescimento do volume de produtos socializados não conseguiu abrir as portas dos cofres públicos. Os investimentos continuaram minguados. Limitando a solidez da indústria cultural. O gargalo tende a crescer devido a forte pressão. O que acontece com a alternância dos atores em movimento contínuo de crescimento individual. Além da mídialivre a era digital colabora com o eco que formam belas escutas e conversas infinitas. Dando sustentabilidade para o novo processo. Mas é urgente a necessidade de uma política cultural de resultados que contemple a distribuição enquanto geração de rendas. Sendo que isso só é possível através de investimentos pesado na formação de uma cadeia produtiva de resultados positivos turbinando assim a economia da cultura. Lembrando a velha e boa cultura popular: “A corda sempre rebenta do lado mais fraco”. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16968




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL