Quando chegamos a bom porto, Cuiabá, Chapada, Pantanal O barco sempre solícito para nossa partida e as palavras, Às vezes vorazes, escassas em outros dados momentos, Sucumbem ao novo cenário que não estava na lembrança As lembranças imediatas são as vielas, ruas e becos Da antiga capital cidade verde que morre ao pôr do sol E que nos remete para outra certeza de amanhecer Fora e dentro de todos os seres habitantes amáveis... De outras paisagens, paredões, desenhos campestres Pássaros de asas coloridas e bicos de pronto eficazes Assim como os peixes que sobem e descem o rio... São essas espécies guardadas nas lentes de nossas retinas E nos garantem que somos todos de um mesmo plano Ao abrirmos os olhos, eternos olhos, depois da desencarnação. ----- Café do Ano Novo Estou aqui. Bebi o café quente do ano novo, Lembrei-me de pessoas e dum livro de poemas lidos Quando queria ficar triste, mas alegre permaneci Olhando para fora da janela do próprio tempo Contar o tempo quando se vê no espelho do banheiro Ao fazer barba de pelos brancos, é obrigação diária Sem se exaltar, sem desespero, sem indignação vária Estou aqui, neste mesmo recinto, que me verá Quiçá, centenas de anos, procurando palavras Nesta inglória luta com a linguagem materna Entre o sentir e o papel em branco de poesia... Este meu recinto, sinto, precisa de limpeza interna: Menos egoísmo, mais compaixão e decisão na busca Para superar o Pantanal desta minha humanidade.