NA HORA
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Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 07 de Julho de 2012, 13h:40

CRÔNICA

Pergaminho

Luís Gonçalves*
Especial para o Diário de Cuiabá
Quando decidi assar essas letras. Enquanto a máquina acendia a lanterna inclinei a pensar. Para escrever pensava antecipadamente na proposta. Depois no canteiro das frases. Pendurava alguns motivos em gaiolas bem arranjadas. Para serem explorados adiante. Abria o parágrafo e ia calcando uma frase com ponta pra lá e outra com pé pra cá. No fim conferia cada palavra se havia sinônimo de indagação. Imbicava os olhos no primeiro ponto adiante e suspirava. Na intenção de sugar alguma letra perdida. Continuava sempre no galope da inspiração. Tanto que não escrevia sem a santa presença da dita cuja. Quando a esquecia em algum lugar saia logo à procura. Um dos lugares predileto onde a encontrava era embaixo do chuveiro. A minha inspiração sempre foi muito ciumenta. Tanto que assim que me enganchava em algum prazer. Vinha pra me levar de volta ao papel. Para me esconder da enxerida debruçava nos livros. A leitura possui o poder de cortar as pernas da inspiração e dar asas a folia. Sou do tipo que qualquer leitura me leva de embrulho. Não cultuo nenhuma inimizade com as letras. Cada pessoa possui a entoação de voz diferente. Expressões de vidas. Assim são as letras. Algumas são possuídas outras nem tanto. Porém, todas carregam paixões infinitas de quem escreveu. Essas paixões me levaram a pensar o inicio. A minha escrita é o melhor de mim. Quando escrevo procuro ser o mais tranquilo possível. Houve uma época que me dedicava tanto às letras que até fazia os textos antecipadamente. Depois chegou a correria. Mas este espaço me é especial. Aqui percebi as mudanças que aconteceram. Vivia pendurado ali no canto esquerdo. Era muito bom. Meu texto era curto. Dando a oportunidade de extrapolar com as anedotas. Depois fui parar ali no centro da página. Um pouco mais espichado. Era legal porque dava a sensação de diferente. Em meio às lapadas de letras um assopro. Agora estamos assim desse tamanho. Parecendo meio livro. Surgiram as imagens. O jornal impresso é uma bula de envolvimento. Por ser um produto do dia para o dia. Possui um diálogo enriquecido. Completo a cada dia. Esse conjunto de vozes é a síntese da voz da comunidade. As matérias progridem conforme as mudanças. Apelos vindos das ruas formam conotação diferenciada dentro da rotina escrita. A partir da Mídialivre muitos se assombraram com diversas letras que ganharam vida. Essa é a euforia dos jornais impressos. A diferença é que carregam conteúdos para preencherem o dia todo. Enquanto que a cultura digital assombra em volumes a todo o momento. Porém, a fala impressa possui melhor calor. É como se um gritasse e o outro falasse detalhadamente. Antigamente era importante distinguir muito bem o que era debate e discussão. Atualmente, poucos se preocupam com esse detalhe. Diria que a Mídia social faz a discussão e os jornais impressos produzem o debate. O debate é uma forma plausível de expor as ideias. A discussão é uma forma violenta de impor a situação. As letras são as mesmas. Apenas debulhadas em plataformas diferentes. Algumas caem à beira do caminho e outras entre os espinhos. Porém, todas são dignas de uma boa observação. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o Dc Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16967




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