NA HORA
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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 29 de Novembro de 2008, 12h:20

EXPOSIÇÃO

Pássaros nas telas

Abaixo as gaiolas. Aprisionar as aves, só se for através da imaginação do artista. Em Chapada dos Guimarães uma mostra aborda bem essa ideologia

De 1977 a 1979, Paulo Jobim e Maria Elisa Costa estiveram em Chapada dos Guimarães, desenvolvendo os trabalhos do Plano Diretor para o Turismo. Paulo e Maria Elisa levaram de Chapada para o Rio de Janeiro, pequenas pedras coloridas que ela encontrara em uma nascente próxima às antigas torres da Embratel. Com as pedras, Paulo riscou em um papel “Terra Brasilis”, isso se tornou a capa de um disco de seu pai, Tom Jobim. O plano de mais de trinta anos reforça a tradição da “terra” e, por certo, é um dos primeiros planos do Brasil com uma notória preocupação com a conservação da paisagem para o desenvolvimento do ecoturismo. Essa desconhecida sutileza é para reafirmar que Chapada e Pantanal, devido ao silêncio, à claridade, à beleza cênica são dois dos melhores lugares no mundo para a prática do Birding ou Birdwatching (observação de pássaros) e Tom Jobim, lembrava-nos em seus shows e entrevistas “O Brasil é o país no mundo que mais abriga espécies de pássaros. Pensem um pouco! Os pássaros voam, então vamos colocá-los em gaiolas?”, criticava o maestro. No tom do Tom os birdwatchers (observadores) buscam os pássaros na natureza, valorizam o ambiente natural, por isso “tchau” gaiolas, armadilhas e estilingues, ou seja, qualquer coisa que cause agressão a estes bichos são consideradas “ferramentas demoníacas”. Essas “ferramentas infames” foram substituídas por tripés, lunetas, binóculo, câmeras fotográficas com poderosas lentes, guia de campo e a caderneta onde os mais avançados descrevem as aves, observam seu comportamento em relação à natureza, registram e reconhecem seus cantos e pios e também as desenham. Para a exposição Birdwatching foram escolhidas dez obras do artista Benedito Nunes. A mais antiga (1998) retrata um eletricista no poste, próximo a uma casa de João de Barro e o pássaro aparece em cena, no fio, mas a sensação é que o bicho quase perdeu a casa devido ao exagero na poda dos galhos, e a mais nova tela retrata o birdwatcher em sua atividade de observação no cerrado (2008). Estes observadores que visitam o Pantanal e Chapada vêm de todo o mundo e somam mais de 51 milhões nos EUA e 63 milhões em toda a América (US. Fish and Wildlife Service). Aqui no “Coração da América”, somente na região que abrange Pantanal e Chapada dos Guimarães, existem mais de trezentos e setenta espécies de aves catalogadas, muitas das quais só existem neste habitat. O sabiá, o bem-te-vi, o colhereiro, os rios, o pantanal e seus pássaros, os sons dos pássaros bem retratados na fase anterior “Barulhismo do Cerrado”, confirmam que Nunes é um exímio observador. Suas lentes não são as mesmas dos birdwatchers, o que vale são seus olhos afiados, afinados com uma poética singular, fruto do movimento proposto por Aline Figueiredo, Dalva de Barros, Humberto Espíndola entre outros, a partir da década de setenta. Embora exista, em Mato Grosso, um exagero na reprodução de alguns desses pássaros/ícones desta região como o tuiuiús, tucanos, araras, garças, biguás, entre outras espécies, que podem ser observadas o ano todo, principalmente no pantanal, alguns de nossos artistas, a exemplo de Benedito Nunes, conseguem retratá-los de forma singular, dando personalidade à obra e reforçando a iconografia eco turística do Estado. Não é preciso ser biólogo, ou mesmo ornitólogo, para percebermos que a saúde de determinado meio tem como indicador a presença de pássaros, e Benedito Nunes nos convida, de forma responsável, a começar a observação, a colecionar belas fotos desse nosso rico patrimônio ambiental, diz também que, devemos conhecer nossas belezas, de perto e levar nossos familiares para educá-los para um futuro sustentável. Benedito Nunes(1956) Natural de Cuiabá, MT. Pintor e desenhista. Freqüentou o Ateliê Livre da Fundação Cultural e o Ateliê Livre do Museu de Arte e de Cultura Popular da UFMT, orientado por Dalva de Barros (1935) e Humberto Espíndola (1943). Sua temática é voltada para aspectos da vida das populações do Centro Oeste Brasileiro, os seus passatempos, divertimentos e quotidiano, atualmente tem como tema principal paisagens do cerrado mato-grossense. Nunes foi premiado mais de uma vez no Salão Jovem Arte e tem diversas exposições individuais e coletivas ao longo dos últimos trinta anos. A mais recente foi o Barulhismo no Cerrado, em 2006, no Museu de Arte e Cultura de Cuiabá. Na exposição pudemos conhecer a alta técnica manual do pintor que também monta esculturas a partir de latas e outros materiais descartáveis. Sua cor é única e nesta exposição em Chapada os apreciadores poderão desfrutar do seu espectro de cores inspirado no cerrado mato-grossense.(Com Assessoria) SERVIÇO O QUE: Exposição “Birdwatching” Benedito Nunes QUANDO: de 29/11 a 31/12, de 5ª-feira a domingo ONDE: Pellegrim Galeria De Arte, Chapada, Praça Dom Wunibaldo QUANTO: Gratuito INFORMAÇÕES: 3301-2686

Edição EDIÇÃO 16967




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