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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 11 de Maio de 2010, 20h:48

TEATRO

Para ver e refletir

“Psicose 4h48”, hoje, com uma companhia paranaense, e “Palhaçaria”, com uma trupe regional, amanhã, são opções teatrais do Palco Giratório

Claudio de Oliveira
Da Reportagem
Com peças voltadas para o público adulto e que provocam reflexão o Palco Giratório segue nos brindando com o Teatro. Esta semana, em especial, hoje e amanhã temos dois lados da moeda. De um lado o teatro na sua gênese dramática por excelência. Um texto denso e pode-se dizer um novo clássico. Do outro o despojamento, também clássico da ‘palhaçaria’, o humor dos mestres de todos os tempos da arte clown. A primeira opção rola hoje, às 20h, no Salão Social do SESC Arsenal, trata-se de Psicose 4h48. A encenação se dá pelo grupo Marcos Damaceno Companhia de Teatro (PR). A peça sobre depressão psicótica e sobre o que acontece à mente de uma pessoa quando desaparecem por completo as barreiras que distinguem a realidade das diversas formas de imaginação. O texto é da expoente da dramaturgia inglesa contemporânea, Sarah Kane, que foi atormentada a vida toda por acessos depressivos, que gradativamente foram levando-a a um processo de suicídio que teve fim em 1999, aos 28 anos de idade, com o cadarço do tênis na clínica psiquiátrica. A experiência desses episódios e os tratamentos médicos a que teve se submeter formaram a matéria-prima para a construção desta sua quinta e última peça, Psicose 4h48. “Sarah Kane tornou-se conhecida pelo modo como a sua carreira começou, com a extraordinária polêmica que provocou sua peça de estréia, Blasted, e pelo modo como acabou: o suicídio e a encenação póstuma de sua quinta e última peça, Psicose 4h48. Ambos foram momentos chocantes e bem definidos do teatro inglês recente e as suas sombras irão pairar sobre qualquer leitura que se faça sobre sua obra. Mas seria uma pena que esses extraordinários acontecimentos nos distraíssem das qualidades de suas peças” aponta David Greig na introdução às suas peças completas. Para ele seria uma pena se, ao dar atenção à mitologia da autora, perdêssemos a teatralidade explosiva, o lirismo, a energia emocional e o humor negro que suas peças contêm. Blasted, O Amor de Fedra, Purificados, Ânsia e Psicose 4h48 formam um corpo de trabalho que expandiu imprudentemente as fronteiras naturalistas do teatro inglês. Cada peça foi um passo de uma viagem artística, na qual Kane assinalou as visões internas mais negras e inesquecíveis: as visões de violações, de solidão, de poder, de colapso mental e, mais consistentemente, a visão do amor. Ainda para Craig “o desafio para o leitor das últimas peças de Kane não é descobrir a autora que está por detrás das palavras, mas sim, atentar sobre o que há de nós por detrás dessas peças”. Para Marcos Damaceno, diretor do espetáculo, dois motivos principais o teriam levado a encenar Psicose: o que ela fala e como ela fala. Com uma temática urgente e realmente importante – cada vez mais pessoas sofrem dessa doença e muito pouco ainda de discute sobre isso – colocada com uma linguagem poética, mas que também permeia entre o dramático e o narrativo. A peça tem como cenário a mente atormentada de palavras, números, músicas, vácuos, lembranças e fantasias da protagonista. Uma mente desconexa, fragmentada, difusa... Para Damaceno: “Nos atrai essa encenação de devaneios, onde nos é posto o desafio de estruturar o espetáculo somente no movimento das palavras, seus equivalentes silenciosos e suspensões de tempo, devido à ausência de trama, enredo, ação, tempo linear e outros elementos usuais da dramaturgia a que estamos acostumados a lidar. Mas não se enganem! Não pretendemos divertir ou entreter ninguém (isto não é telenovela). Parafraseando a Sarah Kane: eu odeio a idéia do teatro servir como passatempo.” Se você não vê nisto um problema ou realmente por outro lado não gosta de peças densas e dramáticas, sem dúvida, você deve esperar até amanhã e ver o Classiclum - O Ensaio, da Cia Arte Negus (MT), às 20h, no jardim do Sesc. O espetáculo reprisa os esquetes clássicos do palhaços. Brinca com as situações criadas pelos grandes mestres do mundo do circo. A apresentação acaba tornando uma maneira de visitar a trajetória histórica de diferentes momentos da palhaçaria. São pinceladas que mostram, evidentemente que com um olhar e fôlego própria da Cia Arte Negus, o que já foi criado pelos mestres palhaços do passado. No elenco Elaine Guarani, Umberto Lima, Augusto Figliaggi. Ambos os espetáculos são gratuitos. (Com Assessoria)

Edição EDIÇÃO 16960




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