ILUSTRADO
Sábado, 29 de Março de 2008, 13h:39
A
A
CRÔNICA
Para quem (realmente) gosta de Beatles
Liverpool é uma pequena cidade do interior da Inglaterra, com muitos pubs, cerveja e repleta de pessoas com mais de 50 anos
Rodrigo Capella
Especial para o Diário de Cuiabá
A minha ida a Liverpool não estava prevista, mas, quando soube que essa cidade é um verdadeiro santuário dos Beatles, não pensei duas vezes e mudei minha trajetória. Afinal, como qualquer beatlemaniaco que se preze, eu precisava conhecer Strawberry Field, The Cavern Club, Mathew Street, Beatles Story, Abbey Road e a casa de Paul, Ringo, John e George. À primeira vista, Liverpool é apenas mais uma pequena cidade do interior da Inglaterra, com muitos pubs, cerveja e repleta de pessoas com mais de cinquenta anos. Pode-se concluir, então, que ela nada tem de diferente de York, que visitei há poucos dias. Errado! Liverpool é uma cidade mágica, vibrante e repleta de melodia. Meu senso de direção é horrível, por isso paguei o que foi necessário para pegar o primeiro beatles tour e conhecer histórias hilariantes sobre o verdadeiro quarteto fantástico. A primeira diz respeito ao Paul. Habitando uma pequena casa de um bairro afastado de Liverpool, o músico se deparou com um rapaz que disse: Ei, eu te levo até a casa do Paul, são apenas 10 libras. Paul caiu em gargalhada e percebeu, nesse momento, que os Beatles estavam populares e que até os adolescentes estavam ganhando dinheiro com a banda. A origem dos Beatles se deu com a dupla Lennon MacCartney. Paul e John se conheceram quando tinham 15 anos. Nessa época, Lennon tinha uma banda chamada Quarry Men e Paul pediu para fazer uma apresentação de guitarra ao jovem amigo. John adorou a apresentação e convidou Paul para fazer parte da banda. Depois, Paul trouxe George, um então garoto de apenas 14 anos, e o pintor Stuart Sutcliffe, que tocaria baixo. A banda iniciou uma série de shows na Escócia, graças ao empresário Andy Williams, que conseguiu também levar os jovens até a Alemanha, onde fizeram uma séria de apresentações no clube Kaiserkeller. Stuart se apaixonou por uma garota da Alemanha e saiu dos Beatles. Provavelmente, se arrependeu bastante! Anos depois, os Beatles trocaram de empresários e o quarteto passou a ser dirigido por Brian Epstein, que era gerente da famosa loja de discos North End Music Stores. Pete foi, então, despedido e os Beatles trouxeram Ringo Star, alterando pela última vez a formação da banda. Um ano depois, os Beatles lançaram seu primeiro disco, chamado Love Me Do, que foi um tremendo sucesso e vendeu mais de cem mil exemplares. Depois, gravaram Please Please Me, que superou o primeiro disco e atingiu a marca de mais de quinhentos mil exemplares vendidos. Algo sensacional! Pouco tempo depois, os Beatles embarcaram em turnê, marcaram épocas e deu-se início a Beatlhemania, que existe até hoje. Essa é apenas uma pequena sinopse da história da banda. Mas, o tour me traria também outras curiosidades para entender, principalmente, o processo de criação dos Beatles. Strawberry Fields (Let me take you down / ´Cause I´m going to Strawberry Fields/ Nothing is real / And nothing to get hung about / Strawberry Fields forever) foi composta em homenagem a um jardim Escondido, trancado por portões, repleto de mato, onde John e Paul subiam as árvores para se divertir, compor e viajar mundo a fora. É lógico, tirei foto na porta do portão. O tour, ao som de Beatles, é claro, terminou no The Cavern Club, localizado na Mathew Street. Lá, o quarteto iniciou oficialmente a sua carreira e fez quase 300 apresentações, entre 1961 e 1963. A última, ocorrida em 03 de agosto, foi emocionante. No Beatles Story, museu da banda, ouvi depoimentos e sentiei em uma das cadeiras do antigo The Cavern Club. Foi como se eu tivesse participado da história dos Beatles. No Beatles Story, há também um submarino gigante, em homenagem a canção Yellow Submarine, non sense, mas repleta de harmonia e alegria: In the town where I was born / Lived a man who sailed to sea / And he told us of his life / In the land of submarines. Ao conhecer todas essas histórias e vivenciar esses momentos, eu estava contente e queria, para completer essa alegria, conhecer apenas a Abbey Road, rua que ficou famosa após os Beatles tirarem uma foto na faixa de pedestre. Eu queria fazer o mesmo, então fui á procura da Abbey Road. Mas, para minha tristeza, descobri que a rua ficava em Londres e não em Liverpool, onde eu estava. Ops! É por isso que sempre falam: quanto mais conhecemos algo, mais descobrimos que sabemos pouco sobre esse algo. Rodrigo Capella é escritor e poeta. Autor de vários livros, entre eles Rir ou chorar, que desvenda os bastidores do cinema, e Transroca, o navio proibido, que está sendo adaptado para o cinema. É colaborador do DC Ilustrado (www.rodrigocapella.com.br)