NA HORA
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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 29 de Setembro de 2012, 13h:19

CRÔNICA

Pão na Água

Luís Gonçalves*
Especial para o Diário de Cuiabá
Passei mergulhado durante um período e quando regressei. Levei um susto bem equipado. A galera descobriu a web. A assistência estava toda completa na linguagem das siglas e códigos do dia. Vontade típica bem abaulada. Tem algo que me incomoda nessa onda digital. Pelo fato de ser uma fábrica inteligente de ilusão. Muitos são iludidos através das lamparinas que brotam em tudo quanto é Mídia sociais. Estufam o peito e lançam os braços ao mar. Imaginando que o banco de areia esteja logo adiante. Nadam até colocar os bofes para tomar sol. Nunca chegam. Isso quando não são atropelados pelos nadadores motorizados. Outros pegos para alimentos de tubarões. Exatamente o que me entristece. Incomoda muito essa situação. Talvez seja tal motivo que me levou á isolar um pouco. Estava muito em campo aberto. Depois que consegui dominar a ansiedade. Nunca mais sofri as dores da velocidade. O que me sobra tranquilidade imensa. Em compensação sofro a pressão terrível para ir ajudar na moagem. A atual plataforma utilizada é extremamente seletiva. É preciso trabalhar para construir a bola. Comprar ingresso para assistir o jogo e marcar gol. Ainda torcer para o time ganhar no tapetão. Caso contrário, tudo foi em vão. Para quem está acostumado não é difícil. É como andar de bicicleta. Nunca esquece. A construção de linguagem praticada. É completamente excludente. Fato visível quando deparamos com alguma pessoa ausente ao processo. Possuem ideias lindas e maravilhosas. Dá vontade de implorar. Para que não as coloquem na roda. Muitos ainda estão iludidos com a tradicional postura. Que por sinal curto muito. Impressiona e ás vezes assusta. Imagino o momento de agrupar essas linguagens. A complexidade é tamanha que muitos fazem leituras diferentes. Desorganiza o completo. Quando ainda residia em Cuiabá. Assim que comecei a construir textos digitais. Muitos dos amigos faziam gracinha da minha cara. Alguns diziam que havia desaprendido. Outros falavam que a cada dia estava conseguindo ser pior ainda. Um amigo. Que por sinal foi um dos que me levou a rede. Falava horrores. Nunca importei por entender que era malhação normal. Na época vivia enlouquecido. Buscando inteirar melhor da situação. Talvez por manter esse ritmo alucinante de tortura. Consegui captar logo de inicio. Percebi que lá o apito era diferente. Desde então comecei a preparar o caminho de adequação da conduta. No meu fraco modo de pensar. Imaginava que esses amigos dominavam a situação. Faziam gracinha da minha pessoa porque enfrentava dificuldade. Vivia a estação da barata tonta tentando me encontrar. Precisei sair. Fiquei fora do eixo. Assentei as letras no lugar que o consumo exigia. Foi quando cai na real. Vim a descobrir que na verdade eles não haviam absorvido a situação. Malhavam a minha pessoa. Porque faziam leituras óbvias. Como os textos estavam sendo preparados para a linguagem inseminada. Evidentemente que não funcionava corretamente para eles. Esse espaço aqui. Foi de fundamental importância para o meu laboratório. Como sempre tive a liberdade de criar. Por muitas vezes. Isso fica bem evidente. Quando se pega dois ou mais textos desse período e os comparam. Fazia questão de testar a capacidade de recompor outras linguagens. Produzindo um mosaico no mínimo surrealista. Alguns ficavam tão estranhos que até arrancavam lágrimas dos olhos. Assim que consegui estacionar a ansiedade. Decidi organizá-los para pendurar no sítio. Que inicialmente era para ser simplesmente o meu ferro-velho digital. Quando vislumbrei tamanha referência. Completamente seduzido pela velocidade. Ansioso para dominar o processo e ajustar o módulo. Não percebi que já conseguia montar o processo. Só necessitava ajustar melhor o foco. O que veio acontecer de uma maneira super natural. Tanto que causou o maior susto. Quando a galera deparou com meus textos rodando a mil nas plataformas. Muitos ainda perguntam como isso aconteceu (?). Já havia acontecido há muito tempo. Mas a velocidade me encantava como a sereia encanta o pescador. Tapando completamente os sentidos. Certamente reflete: a abertura entre os dois mundos. Contribuição. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16962




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