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ILUSTRADO
Sábado, 14 de Julho de 2007, 13h:21

LUTO

Obra de Agrippino merece mais visibilidade

Escritor era reconhecido como guru da Tropicália e morreu praticamente esquecido no interior de São Paulo

Lorenzo Falcão
Da Editoria
Essa história de reconhecimento póstumo sempre acompanhou a trajetória de grandes artistas desde que o mundo é mundo. Vivemos um tempo, um século, onde a alta tecnologia reverbera nos padrões da comunicação. É possível saber de tudo nos dias de hoje, embora essa sapiência esteja muito atrelada à capacidade seletiva de cada um de nós. Mas essa revolução tecnológica que experimentamos ainda não conseguiu banir algumas injustiças. A obra de grandes artistas contemporâneos, não raro, sucumbe às práticas e conceitos desenvolvidos pela comunicação de massa, aliada a indústria cultural que se baseia muito mais nos interesses financeiros e a viabilidade comercial de um produto, do que na qualidade e importância da expressão cultural deste ou daquele artista. E nessa batida, as injustiças ainda vão se acumulando. São injustiças contra artistas que caíram no esquecimento e também contra a população que sequer tem a chance de conhecer produtos especiais que a inventividade humana, através de uma visão particular (a do artista), registrou com sensibilidade e inspiração. No dia quatro passado, em Embu das Artes (SP), vitimado por um infarto, faleceu o escritor José Agrippino de Paula. Um nome que circulava livremente entre a classe artística mais antenada e que era motivo de admiração e respeito. Seus livros geniais (‘Lugar Público’ e ‘PanAmérica’), reeditados pela Editora Papagaio, não receberam a devida divulgação na mídia e sua própria morte, não fosse a iniciativa isolada de escritores e articuladores da literatura nos blogues, também não teria pipocado na grande imprensa. E pensar que Agrippino foi um dos mais vibrantes gurus da Tropicália, especialmente pelo seu PanAmérica, obra lançada em 1967. Irreverente, o livro apresenta personalidades como Che Guevara, Marilyn Monroe, Cary Grant, John Wayne, Marlon Brando, Cecil B. de Mille, Andy Warhol, entre outros ícones da cultura de massa. Estes personagens participam de uma filmagem de episódios da Bíblia e atuam com uma narrativa na primeira pessoa, em cenas sem uma sequência lógica e com um viés pitoresco ou cinematográfico. Uma legião de escritores contemporâneos, alguns já reconhecidos e outros laureados, como Joca Reiners Terron e Marcelino Freire, sempre incensaram Agrippino. Gilberto Gil, nosso ministro da Cultura, e seu conterrâneo, Caetano Veloso, também costumavam idolatrar o cara. Ele faria 70 anos anteontem, numa sexta-feira treze. Tudo bem que diante de um quadro de esquizofrenia o escritor optou por um exílio voluntário num recôndito local. Mas sua literatura impactante ainda tem muito o que dizer neste mundo fragmentado onde a informação está por toda parte, mas o conhecimento e a cultura precisam ser re-paginados por uma comunicação que além de moderna, tecnológica, poderia ser democraticamente mais verdadeira e justa. É isso. Pra saber mais sobre Agrippino vale o link http://revistatrip.uol.com.br/155/desplugados/02.htm . Trecho de ‘PanAmérica’, obra que tem a capa assinada pelo artista plástico José Roberto Aguilar e prefácio de Caetano Veloso "Di Maggio puxou o zíper do vestido de Marilyn e ela estava nua na sua frente com o seu corpo branco. Di Maggio ajoelhou e lambeu o ventre branco de Marilyn enquanto olhava extasiado o corpo lindo e os seios pontiagudos. Di Maggio deitou Marilyn entre os escombros, abriu as coxas brancas de Marilyn e introduziu o seu potente falo de dois metros no ventre de Marilyn Monroe. Marilyn soltou um grito e recebeu todos os dois metros do falo de Di Maggio e prendeu fortemente as pernas. Instantes depois Di Maggio atingia o orgasmo e esguichava esperma para todos os lados, que saía de entre as pernas de Marilyn, e instantes depois os cadáveres esquartejados e os escombros do estádio de beisebol flutuavam no esperma de Di Maggio. Os dois amantes se levantaram nus e o herói convidou Marilyn Monroe para dar uma volta na sua arraia gigante. Os dois montaram na arraia voadora e a gigantesca arraia subiu para os céus com um zumbido."

Edição EDIÇÃO 16967




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