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ILUSTRADO
Terça-feira, 11 de Maio de 2010, 20h:50

CANNES

O polêmico Tim Burton preside o júri

Luís Carlos Merten
Agência Estado
Desde que seu nome foi anunciado como presidente do júri na edição deste ano do maior evento de cinema do mundo, o diretor Tim Burton tem animado muita especulação entre cinéfilos. Em janeiro, "Alice no País das Maravilhas" ainda estava no forno. No lançamento, dividiu a crítica. "A Alice" de Tim Burton não é a do escritor Lewis Carroll, mas em compensação oferece uma bela súmula da criatividade do autor, que se reinventa. O imaginário de Burton tradicionalmente celebra personagens masculinos. Alice é sua primeira (jovem) mulher. Nota 10 para ela. Mas a especulação diz respeito ao seguinte - que presidente do júri será Tim Burton? Ninguém duvida que a personalidade do presidente determina as escolhas do júri em Cannes. Quentin Tarantino, presidindo o júri, escolheu o documentário de Michael Moore "Fahrenheit 11 de Setembro" para tentar impedir a (re)eleição do presidente George W. Bush, mas o filme não era o melhor daquele ano. No ano passado, muita gente já cantava antecipadamente a vitória do favorito de Isabelle Huppert, que presidia o júri. Não deu outra - Michael Haneke, por "A Fita Branca", levou o prêmio. Quem será o favorito de Tim Burton? Olhando para a filmografia do diretor, pode-se reconhecer nela um gosto pelo insólito, pelo diferente, até pelo alternativo. A seleção parece sob medida para ele. Em 1994, Burton trouxe a Cannes Ed Wood, com Johnny Depp no papel do pior cineasta do mundo. Numa licença poética, Burton imaginou o encontro de Orson Welles, o gênio, com Wood, o equivocado. A identificação era completa. Falavam a mesma língua, o bem e o mal-amado. O diretor podia ser o pior, mas "Ed Wood", o filme, era um canto de amor pelo cinema. Quem será o Ed Wood de Tim Burton em Cannes 2010? Quem será seu Orson Welles? Aguardemos a resposta, em 12 dias. Festival ‘alternativo' Há dois anos, já ocorrera um fenômeno parecido com o da semana passada e outra ressaca produziu uma onda que invadiu a Croisette, destruindo parcialmente a decoração do festival que começa amanhã (12). Houve alarme. O pequeno tsunami colocaria em risco a 63ª edição do maior evento de cinema do mundo? Um comunicado dos organizadores colocou fim às especulações. O Festival de Cannes de 2010 estava assegurado e, nesta noite, estende o tapete vermelho para a première mundial de Robin Hood. O épico de Ridley Scott com Russell Crowe no papel do herói - e Cate Blanchett como Lady Marian - estreia simultaneamente nos EUA e na Europa. Em Paris, os ingressos vendidos com antecedência autorizam a expectativa de um grande êxito. No Brasil, o filme entra em cartaz na sexta (14). O pequeno tsunami causou estragos superficiais, mas, segundo os comentários de bastidores, outro tsunami, muito maior, agita os bastidores de Cannes. Os patrocinadores não estão nada satisfeitos com a seleção do diretor artístico Thierry Frémaux. Nunca o tapete vermelho de Cannes foi tão 'alternativo', pelo menos nos últimos anos. A seleção oficial reduziu ao mínimo a participação dos EUA na competição. Os suspeitos de sempre - Woody Allen e Oliver Stone, entre outros - vão animar as sessões especiais, mas com reduzidos astros e estrelas de Hollywood participando da competição o brilho e o glamour das sessões de gala estão ameaçados. Cannes é um grande evento midiático, é como uma Copa do Mundo sem Ronaldo nem Ronaldinho. Thierry Frémaux está tranquilo. Diz que a seleção de 2010 põe na disputa pela Palma de Ouro o que de mais importante foi oferecido, ou pôde ser garimpado, entre as centenas de títulos oferecidos, de todos os lugares do mundo. França, Itália e Alemanha vão representar a Europa, Coreia e China garantem a representação asiática e a América Latina envia à Croisette uma de suas estrelas - o mexicano Alejandro González-Iñárritu, que mais uma vez concorre à Palma de Ouro, agora com "Biutiful". Na verdade, tudo não passa de conjeturas - o festival ainda nem começou, mas a Croisette já fervilhava ontem, como poucas vez se viu.

Edição EDIÇÃO 16962




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