ILUSTRADO
Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010, 08h:59
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MÚSICA POPULAR
O intuitivo e sentimental Guinga
Lucas Nobile
Agência Estado
Depois de 8 de dezembro de 1994, com a morte de Tom Jobim, e de 6 de agosto de 2006, com o adeus de Moacir Santos, a música brasileira ficou órfã de seus maiores revolucionários no campo popular. Parcialmente, pois o maior inovador do cancioneiro nacional da atualidade, em termos de composição, continua vivo, e na ativa. Dando início às comemorações de seus 60 anos (completados no dia 10 de junho), Guinga se apresentou no final de semana passado, em São Paulo, acompanhado por uma formação inédita em seus shows. Pela primeira vez ele dividiu o palco com o grupo Art Metal Quinteto, formado por Jessé Sadoc (trompete), David Alves (trompete), Antonio Augusto (trompa), Marco Della Fávera (trombone) e Eliezer Rodrigues (tuba). O quinteto, formado há 15 anos, já havia participado do último disco de inéditas de Guinga, Casa de Villa, interpretando o tema "Villalobiana", do compositor e violonista nascido em Madureira. A ligação dele com o grupo se deu por meio de Jessé Sadoc, que já o acompanhara em shows e álbuns anteriores. Antes de embarcar para os Estados Unidos, o trompetista pediu a Guinga que lhe separasse algumas de suas composições que ele faria arranjos para o quinteto. As escolhidas, que serão interpretadas por todos, foram "Sete Estrelas" e "Canibaile" (parcerias com Aldir Blanc), "Cheio de Dedos" e "Par Constante". "O Jessé é um dos maiores músicos do País hoje, é um monstrinho. Tenho uma admiração profunda por ele. Não vi como ficaram os arranjos, vou ver na passagem de som com eles", diz Guinga. Na parte em que esteve sozinho no palco, o Art Metal apresentou músicas de seu repertório, como a brejeira "O Bom Filho à Casa Torna" (Bonfiglio de Oliveira) e "Dança Brasileira" (Camargo Guarnieri). Em duo com Jessé Sadoc, Guinga mostrou alguns números, num show que não teve roteiro a ser seguido à risca. "Nunca sigo um roteiro, só quando vou me apresentar com alguma orquestra", explica Guinga. Ele também teve seu momento-solo, cantando algumas de suas composições mais conhecidas, como "Cine Baronesa", "Catavento" e "Girassol" (ambas com Aldir Blanc) e "Senhorinha" (com Paulo César Pinheiro). O público também ouviu as inéditas "Anjo de Candura" e "Mestre de Obras", choro composto em homenagem ao luthier Lineu Bravo, que fez o violão de Guinga. "A maneira mais sincera para demonstrar minha gratidão pelo Lineu foi compondo uma música para ele."