NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008, 21h:34

BIOGRAFIA

O início da fama de Steve Martin por ele mesmo

Um mágico, um ator, um escritor. Martin lança sua autobiografia e revela as diferentes faces do clown que começou em um palco sujo, passou pela TV e com o cinema ganhou o mundo

Agência Estado
Por Ubiratan Brasil
Para alguns, basta Steve Martin erguer a sobrancelha ou promover uma leve curvatura dos lábios para que o riso seja incontrolável. Comediante, roteirista e produtor, ele é capaz de transformar um encontro banal em um evento hilário. Mas, por trás de tamanha espirituosidade, está um homem metódico, que sempre transformou suas apresentações ao vivo em um bem traçado plano de vôo. É o que se observa em "Nascido para Matar... De Rir", biografia escrita pelo próprio comediante que a Matrix acaba de lançar (tradução de Daniela P.B. Dias, 216 páginas, R$ 29,90). O eixo central do livro é sua passagem pelo "stand-up comedy", estilo peculiar de humor americano em que o comediante passa vários minutos em um palco limpo, entretendo uma platéia que, quando acontece o sucesso, se dobra de rir apenas com suas palavras e imitações - no Brasil, já se estabeleceu uma escola semelhante em programas como "Justa Terça" e "Terça Insana". Foram 18 anos no "stand-up", dos quais dez foram gastos no aprendizado, quatro lapidando o trabalho e os outros quatro desfrutando um grande sucesso. "A memória mais marcante que trago desses tempos é a de ter a boca no presente e a cabeça no futuro", escreve ele. "A boca dizendo o texto e o corpo fazendo o gesto, enquanto a mente se afastava da cena, observando, analisando, avaliando e se preocupando, para então decidir quando e o que dizer em seguida." Martin começou em 1965, em uma espelunca de São Francisco chamada Coffee and Confusion, boteco onde todos os aspirantes a artistas se apresentavam de graça, na esperança de serem descobertos por algum caça-talentos. Na sua primeira noite (era uma segunda-feira), ele cantou, tocou banjo e fez números de gosto duvidoso, como furar um guardanapo com a língua. A reflexão que faz daquele momento tornou-se o fio condutor do resto de sua carreira: "Eu era um comediante que interpretava nos palcos um comediante não muito talentoso, e essa noção embrionária me levou a querer explorar outros elementos da mesma linha." Não à toa Steve Martin se transformou no homem que levou a comédia existencial ao grande público além de ter encarnado um dos melhores clowns já criados para o teatro, Vladimir, de "Esperando Godot", em que atuou ao lado de Robin Williams. O humor sempre o acompanhou e momentos de sua infância soam como se tivessem sido encomendadas por Hollywood. Filho de um ator cuja interpretação mais expressiva foi a de entrar em cena como garçom, servir uma bebida e sair, Martin estreou nos palcos quando estava no jardim da infância, interpretando uma rena de nariz vermelho - e já viveu sua primeira frustração, quando a bola de pingue-pongue cortada que levaria no nariz foi substituída por um improvisado desenho feito com batom. Ainda jovem, ele percebeu também a importância da dedicação na conquista de um espaço no show business. Por conta disso, decidiu sacrificar sua relação com a família, mudando de cidade e se isolando para melhor se concentrar no trabalho. Para sobreviver, vivia de bicos exóticos, como ser atendente na loja de mágica da Disney e atuar no Teatro Bird Cage, onde apresentou seu primeiro show de humor e mágica em doze sessões semanais. Ao mesmo tempo, desenvolvia a carreira de escritor, criando um humor nonsense baseado em textos literários clássicos. "O meu objetivo era fazer o público rir sem que as pessoas soubessem descrever exatamente o que havia feito com que elas rissem." Esse estilo peculiar logo começou a chamar atenção, até o momento em que Martin se tornou pauta da imprensa, inspirando críticas favoráveis em jornais, que o levaram à televisão, na qual iniciou como roteirista da "The Smothers Brothers Comedy Hour" e se consagrou no "Saturday Night Live". A glória foi receber convites para participar do célebre programa "Tonight Show", comandado pelo não menos célebre Johnny Carson. "De uma hora para outra, passei a não ter mais problema para fazer reserva em restaurantes." O passo seguinte foi o cinema, que lhe trouxe fama internacional Consagração cuja base sólida foi a experiência nos palcos, como ele reconhece nesse belo retrospecto de vida. TRECHO - "A vantagem da fama, no meu caso, é que ela garantia que o gelo inicial já estivesse previamente quebrado em qualquer interação, e que portanto seria muito mais fácil contornar minha timidez natural. Por outro lado, eu sempre me incomodei com a quebra compulsória da privacidade, com as pessoas batendo à porta sem serem convidadas e os telefonemas anônimos. Eu, que nunca havia sido um sujeito extrovertido na vida, me sentia falso tendo que retribuir à altura quando desconhecidos me abordavam com a intimidade de velhos amigos."

Edição EDIÇÃO 16960




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL