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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Segunda-feira, 04 de Junho de 2007, 18h:59

CRÔNICA

O Fim Pode Ser a Saída

Luís Gonçalves Especial para o Diário de Cuiabá Ultimamente ando sem inspiração para escrever. Já não sinto a mesma animosidade para com a escrita que me levou a escrever tanto nos últimos anos. Às vezes chego a pensar que secou a fonte. Foi um rio que passou em minha vida. Talvez seja por isso que me tornei conselheiro. Ser conselheiro é o fim da picada. Pior do que ser conselheiro é ser suplente. Na época que escrevia jamais pensei ser conselheiro. Perdi uma grande oportunidade de escrever anedotas a respeito dos suplentes. Naquela época nada me escapava. Nessas alturas já teria contado ao público a trapalhada desses suplentes. É uma piada! Verdadeiros ilustres desconhecidos. Mas eu não quero falar sobre isso. Se conselho fosse bom não era di grátis. Na verdade conselho é moda. E se essa moda pega os suplentes entram em crise. No meu fraco modo de pensar todo suplente é teimoso; sabe que perdeu, mas não sai de cima. Têm alguns que fazem drama, desacatam o titular em pleno exercício do mandato. Será que eles pensam que alguém vai ter medo de suas pirraças? No meu tempo quem perdia não apitava o jogo. Ficava do lado de fora sapateando pra entrar. Realmente estou ruim de escrita. Perdi o jeito pra coisa. Quer saber? Acho que estou enjoado. Já sinto o dedo ardendo e ainda nem citei as atrocidades que rodam as paredes do pavilhão do conselho. Sinto que não tem nenhuma graça ficar falando de coisas que todo mundo está cansado de saber. A violência realmente tomou conta de nossas vidas. As pessoas educadas são reféns desses eventuais comportamentos dignos de reflexão: o que é um conselho? Vou fazer um favor à sociedade e pouparei a todos desses detalhes sórdidos. Não disse que estou acabado como escrevinhador? Em outros tempos eu contaria toda a verdade. Talvez por isso não tenha conseguido escrever nada que se presta até hoje. A minha escrita só me trouxe problemas. As pessoas não gostam das verdades. Todos querem ser ovacionados. Procuram algo que lhes abram sorrisos e escondam os modos grosseiros. Infelizmente não sei fazer isso. Afinal, não é todo dia que deparamos com uma fonte milagrosa pela frente. Nasci para fazer o que acredito. *Luís Gonçalves é publicitário e escritor ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16961




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