Ainda estou com aquela sonzeira toda de sexta retrasada no Sesc Arsenal na cabeça. Aliás, o palco da cidade que abriga grandes espetáculos de qualidade ímpar. Era a vez do show: Grooveiro mesmo!!!. Os dois os é só a fonética gringa para um profundo, quase gutural u. Quando a palavra na música quer dizer para alguns: ritmo. A polêmica ferve no insuperável sítio do prof. Dr. Google.com. Também tá rolando a idéia de levada com um sabor do funk. O debate bem fundamentado fala de encaixe entre a bateria e o baixo. Ahá! Aqui entra um cara do Estado de Goiás que é cuiabano de coração, Samuel Smith (1972). Esse jovem baixista brindou a classe musical e o público em geral com uma noitada e tanto. A atuação foi dedicada ao músico Luizão Maia, livre circulante pelas melhores bandas do país desde 1964. Grande baixo que participou ativamente da carreira de Elis Regina. Luizão foi pro Japão em 1993. Gostou de tal forma de lá que voltou poucas vezes para o Brasil, lá falecendo. Suas performances em álbuns de músicos brasileiros chegam a mais de mil gravações. Isso mesmo, fôlego de compositor barroco. Certo o Samuel Smith. Grande sensibilidade. Luizão Maia mereceu o tributo. O show trouxe a inventiva e madura guitarra de Danilo Bareiro. Sandrão Souza carregou na quebradeira atlética de sua conhecida batera vermelha. Aquela que é especial de concerto. E o set da percussão leve ficou sob a responsabilidade do swing maneiríssimo de Paulo Martins. Como se isso não desse a química suficiente para uma apresentação de nível superior. Ainda teve poesias declamadas no palco por Thonny Marcel. E a úfa de convidados especiais. Anselmo Parabá do Mandala Soul mandou uma. Além de Regina Rangel e Marcelo Eça, cantores consagrados da MPB em Cuiabá. O palco obteve a dinâmica perfeita de 55 minutos de funk e o pop tão presentes no roteiro. O improviso comeu solto. A confraria pôde demonstrar quem dá as cartas e joga de mão no M.G.C. Movimento Groove Cuiabano. Que afinação! Uma turgescência sonora do começo ao fim. Um fato ainda pouco presente nos palcos da Capital, instintivamente surgiu por entre a platéia. Falo aqui do caloroso aplauso após as intervenções discursivas improvisantes dos instrumentistas. Claro que isso demonstra que o groove também é um pouco o Jazz. Isto está acima da idéia do emprego apenas das escalas certas. Várias tendências e estilos fundem-se na vivência desses músicos. O talento é marca registrada dessa turmada. E como disse o Smith: Isso não se aprende na escola. Pô, isso é bem verdade. Vamos aguardar o próximo evento do Groove Club. *Ney Arruda é professor universitário, doutorando pela Universidad de Burgos (Espanha), advogado, violinista cuiabano e colabora com o DC Ilustrado (
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