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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 04 de Setembro de 2010, 12h:55

RESENHA

O Baldini e sua interpretação de Barber

O saboroso prato principal da noite sinfônica foi sem dúvida, o concerto para violino do compositor norte americano Samuel Barber. Uma aula

Por diversos imprevistos este ano, ainda não tinha tido a oportunidade de assistir a Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso. Enfim domingo passado fiz as pazes com a agenda cultural da cidade. E conseguimos prestigiar o concerto que marcou a retomada das atividades musicais neste segundo semestre. E de quebra, num lugar amplo e confortável para a população. Vez que o dito conjunto vem se apresentando no Cine Teatro Cuiabá. Acabaram-se as filas dos frustrados ouvintes que voltavam para casa. Pois no teatro de bolso do Sesc Arsenal poucas pessoas conseguiam desfrutar do evento. Das poltronas situadas no mezanino do Cine Teatro, pudemos fluir a melhor potência sonora da orquestra. Que obteve performance com treze violinos. Ainda que a Abertura dos “Sonhos de uma noite de verão” op. 21, em seus compassos iniciais, tenha lembrado uma nuvem de mosquitos dengosos. Depois tudo foi se acertando pouco a pouco com a experiência dos músicos que vieram fazer cachê em Cuiabá. Se me permitem a metáfora gastronômica: o saboroso prato principal da noite sinfônica foi sem dúvida, o concerto para violino do compositor norte americano Samuel Barber. A presença marcante do violinista italiano Emmanuele Baldini foi um mecanismo de atração irresistível para esta apresentação. Ele que é um dos ‘spallas’ da Orquestra Sinfônica de SP, junto com o violinista Cláudio Cruz. Pois o solista convidado demonstrou toda sua exuberante qualidade técnica. É sempre um dever apetitoso para todo músico de cordas – amador ou profissional –, presenciar um artista da categoria de Baldini. Seu fraseado, sua presença no palco. Tivemos uma aula magistral. Foi comentado em nossa de roda de amigos no intervalo, o teor melódico e um tanto quanto dramático do concerto. Lembrei que talvez Barber tenha sentido os efeitos da quebra da Bolsa de Nova York em 1929. Quem sabe proceda esta assertiva, pois os Estados Unidos havia mergulhado numa profunda depressão econômica. E Barber contava 19 anos à época. Mesmo que ele tenha recebido bons convites de trabalho, é significante que cresceu num país devastado pelo esmorecimento financeiro por bons anos. Ao depois ouvimos a 8.ª sinfonia de Beethoven. Olha, com todo o meu carinho por este grande mestre alemão da música. Não vejo nada artístico nessa sinfonia. Não obstante os esforços da orquestra. Pois são musicais, em minha modesta opinião: a 1.ª, 3.ª, 5.ª e 9.ª sinfonias. Como disse um respeitável melômano cuiabano: “Puxa, a oitava é um porre!” É foi mesmo. Não adianta dourar a pílula e dizer que é importante tocá-la. Embora de cor. O problema é que a 8.ª sinfonia não tem um tema sequer de natureza marcante ou que desperte emotividade. É pura técnica. Foi escrita em menos de um mês. Logo em seguida depois da sétima sinfonia. Ou seja: é um Beethoven compondo por encomenda, sem seu costumeiro espírito de vanguarda. Mas tudo bem, a arte de Emmanuele Baldini salvou a reestreia da Orquestra de MT na continuidade da temporada 2010. Seja sempre bem vindo às terras mato-grossenses, dileto violinista. Quem sabe até para um recital de câmara para violino e piano. Pronto, esperamos que o convite seja feito pelas instituições culturais do Estado! * Ney Arruda advogado, professor, violista, Doutorando pela Universidad de Burgos (España) e colaborador do DC Ilustrado aos domingos

Edição EDIÇÃO 16962




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