ILUSTRADO
Segunda-feira, 05 de Setembro de 2011, 19h:47
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SHOW
Ney e o beijo bandido
Sensual, corajoso e meio camaleônico, um dos maiores intérpretes da música brasileira canta hoje em Cuiabá
Martha Baptista
Da Reportagem
Houve um tempo em que o cenário musical brasileiro era marcado por grandes intérpretes. Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Carmem Miranda e Elizete Cardoso são apenas alguns nomes que disputavam os corações dos fãs na primeira metade do século XX. Depois veio uma época dominada por compositores que cantavam suas canções e alguns também se tornaram ótimos intérpretes das composições de outros autores. Roberto Carlos, Caetano Veloso e Milton Nascimento são apenas alguns exemplos dessa leva, marcada por grandes vozes femininas: Elis Regina, Maria Bethânea, Clara Nunes e Gal Costa, entre outras. O artista que faz show esta noite em Cuiabá é uma exceção no panorama mais recente. Ele se lançou no mercado com o grupo Secos e Molhados, que sacudiu o cenário da música brasileira no início dos anos 1970 com uma proposta diferente, que incluía o visual exótico (maquiagem e figurinos) e a performance ousada de seu cantor. Ali surgia uma voz diferenciada e com muita personalidade, que superou o fim do grupo, ocorrido logo após o lançamento de seu segundo elepê. Versátil, Ney não foge totalmente à imagem que criou junto ao público: sensual, corajosa, meio camaleoa. Porém, aos 70 anos, completados em agosto passado, o artista sul-mato-grossense (nascido em Bela Vista, na fronteira com o Paraguai) não teme subir ao palco de cara limpa, usando um figuro sóbrio e elegante (criado pelo estilista Ocimar Versolato) para apresentar canções que se eternizaram nas vozes de outros intérpretes de ouro. É o caso de Fascinação (versão de Armando Louzada para a música de Fermo Marchetti e Maurice Feraudy), que se tornou um clássico na voz de Galhardo e, mais recentemente, de Elis; e de Doce de Coco, o choro de Jacob do Bandolim sempre associado à divina Elizete. ECLÉTICO Assim é o show Beijo Bandido, o 21º espetáculo da carreira de Ney, que não se apresenta em Cuiabá desde outubro de 2008. Será também o teste do Buffet Leila Malouf como espaço para receber grandes shows nacionais, numa capital que ainda carece de lugares mais adequados para esse tipo de espetáculo. Ney Matogrosso sobe ao palco na companhia dos músicos Lui Coimbra (cello e violão), Alexandre Casado (violino e bandolim), Felipe Roseno (percussão) e Leandro Braga (piano), que também responde pela direção musical de Beijo Bandido. Na estrada desde 2009, o espetáculo ganhou registro em DVD e um novo CD, "Beijo Bandido ao Vivo", lançado neste ano. Em julho, foi apresentando no Festival de Inverno de Bonito (MS), no qual Ney foi homenageado. O repertório do show é eclético: vai de um tango do argentino Astor Piazzolla com letra de Geraldo Carneiro ("As ilhas") à balada pop de Herbert Vianna e Paula Toller ("Nada por mim"); de um clássico com letra e música de Vinicius de Moraes ("Medo de amar") ao pop de Cazuza, Dé e Bebel Gilberto ("Mulher sem razão"). Beijo Bandido é uma oportunidade para se assistir à performance de um intérprete em toda sua maturidade (Ney está completando 38 anos de carreira), acompanhado de uma banda com formação mais camerística, na contramão de outros cantores brasileiros. A realização é de Mario Zeferino Produções. MAIS SOBRE NEY De acordo com informações do site (http://www2.uol.com.br/neymatogrosso/home.html), o cantor nasceu Ney de Souza Pereira em Bela Vista (MS), no primeiro dia de agosto de 1941 e desde cedo demonstrou vocação artística: cantava, pintava, interpretava. A infância e adolescência foram marcadas pela solidão, em parte, por escolha do próprio Ney e também por conta das constantes mudanças da família (seu pai era militar). Quando morava em Campo Grande, Ney deixou a família para entrar na Aeronáutica e chegou a trabalhar no laboratório de anatomia patológica do Hospital de Base de Brasília. Cantar ainda era uma coisa esporádica em sua vida, mas por essa época foi convidado a participar de um festival universitário. Em seguida, Ney resolveu correr atrás do sonho de virar ator e se mudou para o Rio de Janeiro (em 1966), onde aderiu à onda hippie, vivendo da venda de peças de artesanato em couro. Através da amiga Luli, conheceu o músico João Ricardo que procurava um cantor de voz aguda para montar um conjunto musical. Nasceu então os Secos e Molhados um grupo de sucesso meteórico que se dissolveu em pouco tempo. O Brasil, entretanto, ganhava o grande intérprete Ney Matogrosso. O nome artístico foi resgatado, segundo o site, na própria família, já que seu pai tinha Matogrosso no sobrenome (com assessoria). SERVIÇO O QUE: Show Beijo Bandido, com Ney Matogrosso ONDE: Buffet Leila Maluf QUANDO: hoje (terça-feira), a partir de 22h INFORMAÇÕES: www.mariozeferino.com.br VENDAS: Casa de Festas (65) 3622-2566