Guitarras em fúria, odes ao niilismo, neblina de ganja. Não é bem o que os bons garotos do Beach Boys imaginavam para o legado do rock sorridente e boa praça que produziram no início dos anos 60, mas é um fiel retrato de King of the Beach, o incensado segundo álbum do Wavves, que tem feito a cabeça de moderninhos no verão americano deste ano, com uma reciclagem eletrizante do som de Brian Wilson e companhia. King of the Beach é rock praiano com harmonias vocais e levadas que vão do frenético ao preguiçoso, tocadas através de um amplificador danificado que cospe a efervescência adolescente de Nirvana e Green Day. O nome do enfant terrible é Nathan Williams, bicho grilo californiano de carteirinha, daqueles que zombam de saradões e estão mais interessados em fumar um baseado do que pegar ondas e sorrir para as gatinhas. A leseira em nada compromete a vitalidade de seu talento. Em 2009 gravou sozinho, no quarto dos fundos da casa de seus pais, em San Diego, o homônimo Wavves, feito apenas com um software para músicos amadores. A produção escrachada do disco lembrou os tempos pré-digitais do grunge e chamou a atenção da mídia independente. Quando virou hit, destoou da estética arrumada de bandas que fazem sucesso no circuito cult e tornou-se parte de um questionamento sobre a integridade de uma vertente do rock (Franz Ferdinand, Arcade Fire, Spoon) que foi, por muito tempo, periférica, mas hoje lota estádios e faz trilhas sonoras de comerciais de computadores e carros importados. King of the Beach pode ser ouvido no site www.myspace com/wavves.