ILUSTRADO
Sábado, 19 de Abril de 2008, 15h:47
A
A
CHARGE
Nas entrelinhas do desenho
A arte do desenho bem humorado está manifestada nesta edição domingueira através do grande Paulo Caruso e de Brás Rubson, chargista de MT
Lorenzo Falcão
Da Editoria
O chargista Paulo Caruso, que esteve participando de debate recentemente em Cuiabá, mostra todo o seu humor na entrevista abaixo, como se não bastasse o seu traço. Dono de respostas curtas e enxutas, mesmo que passando ao largo das respostas solicitadas, o sujeito mostra um humor sutil, irônico, cheio de significados e significâncias. E também nos cedeu alguns de seus trabalhos mais recentes, sendo que um deles, o esboço de Ignácio de Loyola Brandão, foi maturado aqui. Loyola participou com Caruso de um debate em torno da Crônica Brasileira. E, enquanto não estava falando, desenhava sem parar. Caruso é um dos mais atuantes cartunistas brasileiros e já rodou por aí nos principais órgãos de comunicação brasileiro. De São Paulo, onde mora e nasceu, teve a gentileza e o bom humor para responder em curtíssimo intervalo de tempo às perguntas abaixo. DC Ilustrado: Como essa história do traço, do desenho, surgiu em sua vida; e quando foi que decidis-te encarar isso como opção profissional? Paulo Caruso:Desde que me conheço por gente, ainda menino, comecei a desenhar, com 4 ou 5 anos. Na verdade o que era uma brincadeira acabou se tornando uma profissão, hoje em dia sou até convidado pra debates sobre ela... DC: Acho curiosa essa história de você e seu irmão, que também é cartunista, terem um traço semelhante (como se não bastasse o fato de vocês serem gêmeos). Isso dá muito pano pra manga... Tudo leva a crer que alguma coisa plástica, imagética mesmo, bem no seio da família, tenha influenciado decisivamente a dupla... PC: Em pesquisas com gêmeos ficou claro que, para além da questão genética, a cultural é determinante na formação da pessoa. Assim, nossa família foi o caldo de cultura ideal para nosso crescimento artístico, se bem que, frequentemente, acontecia de me perguntar, na comparação com meu irmão gênio:"O que a educação dele teve que a minha não teve?" DC: Ainda sobre as ditas artes plásticas e/ou gráficas. Algum artista ou movimento, em especial, você gostaria de citar como referência no seu trabalho? PC: Desde os quadrinhos da Disney, até o surgimento do Pasquim e logo a contracultura norte americana foram marcantes na minha deformação profissional. DC: É praticamente impossível dissociar seu trabalho do humor. Assim sendo, deduzo que você é um sujeito bem humorado quase sempre. Ou será que eu estaria errado e, às vezes, quando você tá p da vida é que a inspiração vem com tudo? PC: Tem gente que consegue ser bem humorada na vida, eu guardo pro meu trabalho... DC: Durante o debate aqui em Cuiabá e mesmo nas conversas que tivemos antes e após o debate, percebi que você tem uma queda pela literatura. Fale sobre suas preferências e referências literárias. PC: Lamento, mas eu só vejo as figuras... DC: A música é outra arte que entrou pra valer em sua vida. Ela chega a ser uma atividade paralela, quero crer. E novamente está a parceria do Chico, seu irmão. Imagino que a família Caruso sempre teve uma certa musicalidade latente. Bem, Caruso, aliás, é um nome relacionado com a música e não é de hoje... PC: Titio, Enrico Caruso, foi quem abriu caminho pra todo mundo com esse sobrenome. DC: A política e todos os acontecimentos que a envolvem, parecem ser o seu combustível principal. Em relação ao futuro do Brasil, você se diria um sujeito otimista, pessimista, ou vai e volta? Por quê? PC: É a matéria prima da caricatura, a política está para a caricatura assim como o nu artístico para a pintura... DC: Pra encerrar, peço-te pra falar um pouquinho sobre a imagem que você formou de Cuiabá, embora tenhas passado poucas horas por aqui. PC: Como falei, foi uma acolhida calorosa, e isso não apenas por conta da meteorologia e das condições climáticas. Achei o público surpreendentemente ilustrado e interessado na questão da expressão da crônica na literatura. Foi uma surpresa agradável.