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ILUSTRADO
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009, 21h:12

CINE TEATRO

Música e humor em cena

Depois da reinauguração, espaço abre neste sábado sua maratona de apresentações artísticas. Tudo com entrada franca

Claudio de Oliveira
Da Redação
Este é o primeiro final de semana da nova história do Cine Teatro. Na inauguração muito se falou sobre o passado e as lembranças, mas apenas o maestro Leandro Carvalho aventou a possibilidade deste espaço vir a ser o primeiro contato de um grande número de jovens com as artes. O comentário feito ainda durante a inauguração nesta quinta-feira encontrou eco, “é mesmo, o SESC Arsenal tem um ar muito pomposo, acho que assusta os freqüentadores” disse um jornalista presente. PÉ claro que devemos trabalhar para acabar com esta possível má impressão, se é que ela existe, mas também é necessário compreender a posição estratégica do Cine Teatro Cuiabá. Localizado no centro de Cuiabá fartamente servido por linhas de ônibus e com grande densidade estudantil secundarista. O Cine Teatro está com a agenda lotada, conforme a secretaria estadual de Cultura (SEC) ao todo serão 40 espetáculos neste primeiro mês de funcionamento. São apresentações teatrais, humor, drama, poesia, e ainda shows que vão do erudito ao popular, do rock ao sertanejo. Esta segunda noite, por exemplo, terá a apresentação da Comadre Pitú, do Mandala Soul e da dupla Nico e Lau. A Comadre Pitu personagem emblemático do ator e apresentador Vital Siqueira, 44. Vital é natural de Várzea Grande. Faz teatro desde os nove anos, quando já declamava e cantava pra amigos. Besteirento e desbocado, tem ao longo desta carreira mais de 30 espetáculos no lombo segundo a poetisa Marília Beatriz. Ainda conforme a professora Dra. Marília “Pitu é sua fronteira arriscada entre o irônico, o deboche rasgado, o amor pelas tradições, o respeito religioso e a consciência política e social”. O Mandala Soul invade o palco com aproximadamente 70 pessoas. O show Groove Geodésico da América do Soul é um espetáculo que reúne a multiplicidade sonora centro geodésico da América do Sul. “É uma homenagem a estas manifestações sonoras que temos por aqui” disse Anselmo Parabá diretor geral do show. A festa que também conta com Danilo Bareiro co-dirigindo começa com uma saudação a S. Jorge feita com tambores e voz. Os alunos do Instituto Mandala, do Tijucal, estão a dois meses e meio ensaiando para se apresentarem. “Há três anos mais ou menos estamos trabalhando com eles no bairro Tijucal. São 45 crianças no Groove com faixa etária de 8 a 16 anos” relatou Anselmo. O cardápio variado se completa outras quatro músicas: Saudação à Velha África; uma música da Mandala Soul com a participação do grupo Sfreemind, que é um grupo de dança de rua (20) composta por adolescentes na faixa dos 12 a 13 anos que montou uma coreografia para a música; Sente o Groove em estilo house com o DJ Spinha e um arranjo de latas e um Pout Pourri de rasqueado. O Groove terá ainda participações especiais de Tony Maia (trompete), Fagner Cerqueira (Sax), Samuel Smith (baixo) e Josué Carvalho (percussão). Segundo Parabá o trabalho social que vem sendo desenvolvido desde 2005 só é possível com o apoio da SEC e do Instituto PM Mão Amiga. A última apresentação da noite é da dupla Nico e Lau. O show está com a lotação esgotada, pois todos os ingressos já foram retirados antecipadamente. A dupla é muito querida na cidade e esta procura despertou-nos uma dúvida: Como as pessoas serão convidadas a se retirar ao fim de cada apresentação? E o tempo despendido entre o final de uma e começo de outra apresentação não vai alongar demais a noite cultural? E nessa linha o DC Ilustrado espera que a SEC consiga aos poucos auxiliar no processo de formação de plateia e de educação para o comportamento durante os espetáculos, porque ninguém merece celulares tocando durante o concerto da orquestra ou mesmo em um momento dramático de uma peça. O ator Lioniê Vitório, o Nico da dupla Nico & Lau deu um depoimento emocionado logo após a reinauguração do Cine Teatro, ele se disse extasiado pelo fato de reconhecer que muitas coisas da vida das pessoas não são planejadas, mas elas acontecem para o contentamento de todos. "Fiz parte disso aqui, vim assistir filme do Mazzaropi no final dos anos 70", relembra. "Hoje estava sentado ali e pensei: quem imaginava que o menino que antes assistia ao filme 'Os Trapalhões', e hoje com a referência de ser artista, vai subir o palco na semana que vem onde outros fizeram tanta história na cenografia, teatro, música, cinema?", perguntava-se ao fim da cerimônia como alguém que não compreendera a fusão rápida do tempo em dois momentos da sua existência. (com assessorias)

Edição EDIÇÃO 16962




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