ILUSTRADO
Sábado, 13 de Abril de 2002, 15h:14
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EMOÇÃO
Morre o sambista Oswaldo Sargentelli
Aos 78 anos, ele morreu vítima de infarto depois de passar mal ao fazer uma participação especial na novela O Clone, onde foi homenageado pelos atores em cena
O sambista e empresário de mulatas Oswaldo Sargentelli, 78, morreu ontem no Hospital Barra D'Or, no Rio de Janeiro, vítima de infarto. Boêmio, Sargentelli ficou conhecido como mulatólogo e foi apresentador de programas na televisão e no rádio, ganhando fama como o Advogado do Diabo. Ultimamente, trabalhava na TVE. Ele passou mal ontem, ao fazer uma participação especial na novela O Clone. Segundo o hospital, ele morreu por volta das 10h. Sargentelli havia sido internado anteontem, apresentando um quadro de parada cardiorespiratória, com alteração do ritmo cardíaco. Sargentelli foi submetido a manobras de reanimação, após ser internado, às quais só respondeu após 40 minutos. Ele entrou em coma pouco depois. Os médicos que vinham cuidando de Oswaldo Sargentelli, chegaram a tentar colocar um marca-passo no sambista na manhã de ontem, quando ele faleceu. De acordo com informações do Hospital Barra D, os músculos do seu coração estavam enfraquecidos e a pressão sanguínea continuou baixa mesmo com doses elevadas de adrenalina e outras medidas tomadas na tentativa de dar mais força ao fluxo de sangue no seu coração. Sargentelli passou mal durante gravação da novela "O Clone", da Globo. Segundo a Central Globo de Comunicação, ele se emocionou ao ser homenageado pelos atores em cena da novela, que estava sendo gravada no bar da Jura (Solange Couto) e não foi concluída. No momento em que passou mal, o sambista contracenava com a atriz Solange Couto, a Dona Jura, que já foi uma das mulatas de seu show. Ele teve uma suspeita de parada cardíaca e já deixou o local em uma ambulância da TV Globo com destino ao hospital. Mulatas - Oswaldo Sargentelli conheceu a fama na década de 70, quando lançou suas mulatas como "produto cem por cento nacional". Durante anos, ele viajou pelo Brasil e o exterior apresentando shows de samba com suas mulatas. É sua parte da responsabilidade pela imagem da mulher brasileira associada à folia, até hoje acreditada em todo o mundo. Sobrinho de Lamartine Babo, o Sargento, como é conhecido, tornou-se figura importante do carnaval brasileiro desde aos anos 30. Sargentelli chegou a ter quarenta mulatas trabalhando simultaneamente para ele. Entre elas estava Solange Couto, a Dona Jura, com quem contracenava quando passou mal na tarde de sexta-feira. Mas ele ainda alimentava um sonho que levou consigo: desfilar pela Portela, sua escola de coração. O sambista também ficou famoso por suas frases sábias e divertidas. Era comum os jornais destacarem alguma de suas falas como "frase do dia". Entre elas estão: "A velhice nos pega de surpresa" - dita após passar por duas cirurgias cardíacas - e "Me ajudam a atravessar a rua, pegam pela mão, eu dou as duas. Estou adorando ter a minha idade" - descreveu de forma divertida a chegada aos 69 anos de idade.