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Cuiabá MT, Segunda-feira, 08 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 13 de Abril de 2002, 15h:14

EMOÇÃO

Morre o sambista Oswaldo Sargentelli

Aos 78 anos, ele morreu vítima de infarto depois de passar mal ao fazer uma participação especial na novela “O Clone”, onde foi homenageado pelos atores em cena

O sambista e empresário de mulatas Oswaldo Sargentelli, 78, morreu ontem no Hospital Barra D'Or, no Rio de Janeiro, vítima de infarto. Boêmio, Sargentelli ficou conhecido como mulatólogo e foi apresentador de programas na televisão e no rádio, ganhando fama como o Advogado do Diabo. Ultimamente, trabalhava na TVE. Ele passou mal ontem, ao fazer uma participação especial na novela O Clone. Segundo o hospital, ele morreu por volta das 10h. Sargentelli havia sido internado anteontem, apresentando um quadro de parada cardiorespiratória, com alteração do ritmo cardíaco. Sargentelli foi submetido a manobras de reanimação, após ser internado, às quais só respondeu após 40 minutos. Ele entrou em coma pouco depois. Os médicos que vinham cuidando de Oswaldo Sargentelli, chegaram a tentar colocar um marca-passo no sambista na manhã de ontem, quando ele faleceu. De acordo com informações do Hospital Barra D, os músculos do seu coração estavam enfraquecidos e a pressão sanguínea continuou baixa mesmo com doses elevadas de adrenalina e outras medidas tomadas na tentativa de dar mais força ao fluxo de sangue no seu coração. Sargentelli passou mal durante gravação da novela "O Clone", da Globo. Segundo a Central Globo de Comunicação, ele se emocionou ao ser homenageado pelos atores em cena da novela, que estava sendo gravada no bar da Jura (Solange Couto) e não foi concluída. No momento em que passou mal, o sambista contracenava com a atriz Solange Couto, a Dona Jura, que já foi uma das mulatas de seu show. Ele teve uma suspeita de parada cardíaca e já deixou o local em uma ambulância da TV Globo com destino ao hospital. Mulatas - Oswaldo Sargentelli conheceu a fama na década de 70, quando lançou suas mulatas como "produto cem por cento nacional". Durante anos, ele viajou pelo Brasil e o exterior apresentando shows de samba com suas mulatas. É sua parte da responsabilidade pela imagem da mulher brasileira associada à folia, até hoje acreditada em todo o mundo. Sobrinho de Lamartine Babo, o Sargento, como é conhecido, tornou-se figura importante do carnaval brasileiro desde aos anos 30. Sargentelli chegou a ter quarenta mulatas trabalhando simultaneamente para ele. Entre elas estava Solange Couto, a Dona Jura, com quem contracenava quando passou mal na tarde de sexta-feira. Mas ele ainda alimentava um sonho que levou consigo: desfilar pela Portela, sua escola de coração. O sambista também ficou famoso por suas frases sábias e divertidas. Era comum os jornais destacarem alguma de suas falas como "frase do dia". Entre elas estão: "A velhice nos pega de surpresa" - dita após passar por duas cirurgias cardíacas - e "Me ajudam a atravessar a rua, pegam pela mão, eu dou as duas. Estou adorando ter a minha idade" - descreveu de forma divertida a chegada aos 69 anos de idade.

Edição edição 16957




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