ILUSTRADO
Quinta-feira, 02 de Junho de 2016, 18h:17
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HISTÓRIA
Memória e arte de Mato Grosso em exposição
Através das obras de Moacyr de Freitas e Humberto Espíndola, a chance de um mergulho nas origens do nosso Estado
Mato Grosso: História, Memória e Arte é a nova exposição em cartaz na Galeria Lava Pés, sede da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), próximo ao Shopping Goiabeiras. A mostra ficará em cartaz até o dia 26 de agosto, com entrada gratuita reunindo obras de dois consagrados nomes da Cultura de Mato Grosso: o arquiteto e artista plástico Moacyr de Freitas e do artista Humberto Espíndola. O foco das obras é justamente este estado de Mato Grosso, em que todos nós convivemos. Na exposição, o visitante pode passear por períodos distintos da história, da época da província à divisão geográfica e política do Estado no ano de 1977, quando a ditadura militar pariu o Estado de Mato Grosso do Sul. A exposição também presta uma homenagem a duas personalidades mato-grossenses de importância nacional o Marechal Candido Mariano da Silva Rondon, desbravador, humanista, indigenista, cientista e aclamado como pai da comunicação e Dom Aquino Corrêa, tido como príncipe das letras, que estabeleceu um diálogo constante entre a literatura, a história e a cultura local. É ainda uma oportunidade única de conhecer, pela primeira vez, a coleção completa das obras produzidas por Moacyr de Freitas, composta por 60 telas pintadas em acrílico, acompanhadas por textos do historiador Paulo Pitaluga. A série apresenta um recorte dos períodos colonial e provincial de Mato Grosso. Segundo Pitaluga, as minúcias, que para muitos poderiam passar despercebidas, formam um conjunto real transmitindo autenticidade aos fatos históricos retratados. Aos 89 anos o arquiteto Moacyr de Freitas é um amante da história e da cultura regionais e contribuiu, de maneira ímpar, com o acervo pictórico do estado ao deixar registradas, em suas telas, cenas dos períodos provincial e colonial de Mato Grosso, uma iniciativa inédita que tomou depois que passou a fazer parte do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT). Tive como base profundos estudos e pesquisa para ser fiel aos fatos e manter as características daqueles períodos. Mato Grosso é o único estado que tem isso registrado em imagens e não apenas nos livros de história, observou. A própria história do Brasil não tem tantas imagens, apenas algumas feitas pelos primeiros pintores de reconhecimento nacional, acrescentou Moacyr. Por estar em ordem cronológica, a exposição conta a história do Estado de maneira gradativa e por isso é uma importante fonte de informação para o público em geral, especialmente historiadores e estudantes. Moacyr lamenta não ter conseguido finalizar a série com outras 30 telas sobre o período republicano, mas espera que algum outro artista se inspire e dê continuidade ao seu trabalho. A divisão geográfica e política de Mato Grosso, ocorrida em 1977, está representada nas telas do artista plástico sul mato-grossense Humberto Espíndola. Compõem a exposição obras pertencentes às séries Bovinocultura, Mapas, Rosa Boi, Nelore e Abstração Rural, além de reproduções das obras da Divisão de Mato Grosso. Segundo Maria Adélia Menegazzo, professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que assina o texto de apresentação, o artista traduziu e sintetizou plasticamente a história da divisão do Estado. Enquanto narrador privilegiado, um campo-grandense que se encontrava em Cuiabá quando da divisão, Humberto Espíndola oferece um verdadeiro roteiro estético-histórico do fato, através da pintura, desafiando seus limites, reforçando a autonomia da linguagem artística e humanizando o sentimento popular. A mostra Mato Grosso: História, Memória e Arte pode ser visitada na sede da SEC, na avenida José Monteiro de Figueiredo (antiga Lava Pés), 510, bairro Duque de Caxias, e estará aberta de segunda a sexta, das 8h às 18h, até 26 de agosto com entrada gratuita. Merece a sua visita.