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ILUSTRADO
Quinta-feira, 25 de Junho de 2015, 20h:14

EVENTO

Mário Zeferino é show em Cuiabá

Como produtor, ele já organizou mais de 300 espetáculos na capital, está investindo no Rio e sonha em fazer sucesso em Nova York

BEATRIZ SATURNINO
Da Reportagem
Ansioso, perfeccionista e perseverante, nas horas de lazer gosta de cozinhar, está sempre com a família, e ainda se desdobra em produções que envolvem mais de 500 pessoas com trabalho direto e indireto. Muito longe de ser aventureiro, apesar de sonhador, Mario Zeferino é pé no chão e nesta caminhada já produziu mais de 300 eventos entre shows, palestras, jogos, feiras e festivais. Em translado entre Cuiabá e a “Cidade Maravilhosa”, sua meta agora é alcançar os Estados Unidos. De muitas amizades e também desafetos, pelo mal da concorrência, uma questão até natural, em seus 20 anos como produtor de eventos Mario Gonçalo Zeferino (44) tem acesso a quase todos os escritórios de música do Brasil. “Minha expectativa de vida é ser um grande produtor nos EUA, desde a primeira vez que estive em Nova Iorque, há cinco anos”, frisa o produtor de eventos, que direto faz contatos, seja por telefone, ou pessoalmente, pelo menos duas vezes por ano nos States. Evento, Zeferino garante, é sorte e feeling, por isso não cabe aventureiro. Tem muito imprevisto e se a pessoa intencionada no sucesso não tiver, primeiro, contatos, e depois a experiência do batente frenético entre as burocracias de documentação, como seguro e segurança, não alcançará o que deseja a não ser perder tudo ou se endividar. Ainda conhecer fatores clínicos da economia atual, data de pagamento, saber a classe social que deseja atingir no momento, do local se é adequado ou não, se o artista está no auge, até mesmo a situação climática do tempo, são regras básicas para se atentar. É preciso fazer desde a contratação do artista, até a montagem da estrutura, que inclui palco, som, luz, camarim, mídia, hospedagem, traslado, documentação exigida pelas autoridades locais, entre outras determinações. Ou seja, não é nada fácil, mas muitos se engajam nesta ilusão focados apenas no pensamento de ganhar uma bolada de dinheiro e fazer a vida, mas se esquecem dos trâmites, que requerem muita atenção e responsabilidade. “Evento é a coisa mais difícil que tem, pois você tem a responsabilidade por todo aquele público que está lá dentro. Eu tenho a paixão por realizar eventos, de ver a alegria e satisfação do público porque, na verdade, a gente está realizando um sonho, como eu que queria realizar o meu, de ver o Michel Jackson e não consegui”, descreve Mario Zeferino. Por mais que tenha uma equipe de 10 a 12 pessoas de produção geral diária, e dependendo do evento chegue até 500 ou mais pessoas, é Mário Zeferino quem pensa e decide tudo do começo ao fim. É claro que não é somente acerto, que às vezes nem o feeling, ou melhor, a visão, o tino de uma boa oportunidade acontece. Por mais que use aquilo que acredita que está no momento certo de fazer, mesmo assim se erra. Um exemplo que marcou a experiência de trabalho de Zeferino foi o show de Cássia Eller, que estava explodindo no Brasil inteiro e ele teve que cancelar dois dias antes do evento, por falta de público, o que gerou prejuízo, pois taxas recolhidas, mídia efetuada e tudo o que foi pago não é devolvido. Por isso fazer evento é questão de sorte, pois o mercado também é cruel, em que muitos perdem tudo o que investiu, vão à falência e nunca mais aparecem. No entanto, Mario Zeferino guarda inúmeros sucessos de público, de shows que produziu em Cuiabá, como de Ivete Sangalo, Lulu Santos, Zezé Di Camargo e Luciano, Emerson Nogueira, Engenheiros do Hawaii, Titãs, Paralamas do Sucesso, Maria Bethânia e Caetano Veloso, entre outros. Em sua agenda de telefone, ele conta que tem pelo menos cinco contatos de fornecedores diferentes para cada atividade, em Cuiabá. Agora, no Rio de Janeiro, é como se estivesse começando, tal como ocorreu junto da Carlina Rabelo Leite, aos 25 anos de idade, quando trabalhou para ela na Carlina Promoções e Eventos. “Me recordo que foi no show da Xuxa e depois Chitãozinho e Xororó. Ela foi uma inspiração e um exemplo para mim na produção de eventos. Foi no período entre 1990 a 1995 e quando comecei a fazer meu trabalho sozinho, ela já estava praticamente em outra área”, lembra-se. No Rio, Mario está numa espécie de estágio, com parceria em eventos, para ver como funciona, conhecer quem é quem, e fazer contatos, que é o principal. Ou seja, perceber o mercado e saber com quem vai trabalhar, porque é muita gente envolvida e não se deve vacilar. A experiência lhe trouxe a precaução e cautela antes de vislumbrar um evento, na escola do dia-a-dia. “Não é todo mundo que você consegue agradar. Uns reclamam que a cerveja estava quente, outros que o som estava ruim. Tem a dificuldade de enfrentar um outro show no mesmo dia, isso quando não acontece de atravessarem o seu evento, já divulgado”, frisa Zeferino. Quando se trata de produção de eventos Mario é rígido em falar que não adianta ficar na sala de aula sentado na cadeira e não ir para a prática, que não vai aprender nada. E o que mudou no cenário atual? “Antigamente via-se realmente produtores, tinha muito menos artista no mercado e agora começaram a aparecer muitos aventureiros com a intenção de arrecadar dinheiro. Para isso se fazia rifa e hoje querem fazer festa para juntar dinheiro”, alerta o produtor de eventos. Ainda, a legislação não ampara o Governo para patrocinar e, segundo Mario, nos dias atuais está impraticável o apoio de qualquer forma, de mídia, estrutura, que é o máximo que o Governo pode dar. Quando volta ao tempo fica claro que a aptidão em produzir eventos já é nata em Mario Zeferino. “Eu já tinha um pezinho nos eventos. Eu, com 12, 13 anos, comecei a inventar festinhas no colégio, em casa, reunia os colegas e já cobrava cota. Não tinha negócio de ingresso ainda. Era a vaquinha, o junta junta que falava”, recorda o produtor. No livro que pretende escrever, “Do Campo do Ourique a Nova Iorque”, anuncia que vai contar a história dele, do menino que saiu do Campo do Ourique, em Cuiabá e chegou até a cidade mais populosa dos Estados Unidos. Um sonho realizado num convite para a gravação do DVD de Ivete Sangalo, no Madison Square Garden. “A primeira vez que pisei em Nova Iorque, comecei a lembrar da minha infância, que era pobre e sonhava em conhecer todo aquele lugar”, conta. Quem será o redator do livro, que vai ouvir a história e escrever é o Justino Astrevo, o Lau, personagem da dupla humorística Nico e Lau. Na agenda de Zeferino, nesses dias mais recente, em Cuiabá, as produções da apresentação do balé russo, “O Lago dos Cisnes”, a volta do sertanejo João Carreiro, no dia 25 de julho, ambos no Centro de Eventos do Pantanal, e o “Festival Viva o Rock”, em 19 de setembro, com “O Rappa”, “Pitty” e “CPM 22”.

Edição EDIÇÃO 16962




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