Santiago do Chile, 1978. Em meio à ditadura militar de Pinochet, Rául Peralta (Alfredo Castro, excelente) é um sujeito de cerca de 50 anos que vive de se apresentar na periferia da capital com um grupo de dança imitando seu ídolo, Tony Manero (Chile, 2008/Imovision), o personagem que John Travolta eternizou nas telas em Os Embalos de Sábado à Noite. O maior desejo de Peralta é ser reconhecido com as imitações que faz do astro americano. Obcecado pela idéia de personificação de Tony Manero, ele sonha em ganhar um concurso de imitadores promovido por uma TV local. Ensaiando exaustivamente, acaba ficando cada vez mais perigosamente obcecado com seu estranho passatempo. A partir daí, sua obsessão também revela a personalidade de um psicopata. Enquanto seus parceiros se empenham na luta clandestina, Peralta comete uma série de crimes e assassinatos para alcançar seu grande sonho. O filme do estreante diretor Pablo Larrain é uma obra alegórica que trata da obsessão e perda de identidade em tempos sem liberdade, recorrendo ao humor negro e reviravoltas inesperadas. Parecidíssimo e de igual talento com Al Pacino, Castro tem uma atuação antológica que traduz com perfeição o turbilhão emocional de seu personagem, tornando-o protótipo das contradições de uma época. Perturbador, Tony Manero tem a coragem de ser amoral e pessimista. (J.C.) Castro em atuação antológica