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ILUSTRADO
Quinta-feira, 24 de Maio de 2012, 21h:01

TEATRO

Manoel de Barros inspira peça

A poesia de Manoel de Barros (Cuiabá, 1916) é a inspiração dos diretores Adriano e Fernando Guimarães, de Brasília, no espetáculo nada, que acaba de estrear no Oi Futuro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Os irmãos voltam ao centro cultural do Flamengo quatro anos depois da temporada de estreia de “Resta Pouco a Dizer” – a última parte da tetralogia de peças curtas, performances e instalações que os tornou uma referência na obra do dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989) no Brasil. Na peça, uma família do interior comemora o aniversário de 80 anos do avô. Em clima de bate papo em família, histórias, versos e chistes extraídos da obra de Manoel de Barros vêm à baila, em meio a causos e tiradas evocados e selecionados durante o processo de ensaios. O Manoel de Exercícios de Ser Criança, Poemas Rupestres e Livro de Pré-Coisas se funde com fragmentos de outros trabalhos do autor, e com a invenção memorialista da cena, enquanto são servidos bolos, sucos, cafezinhos e pães de queijo para os espectadores, durante hora e meia que dura a festa. Na montagem dos irmãos Guimarães, o público, ao mesmo tempo em que assiste a encenação, participa dela como se fossem convidados. Para acomodá-los, foram dispostos assentos em madeira, dos mais variados estilos e dimensões, pelo espaço cênico. A montagem também conta com mais de 4 mil peças de vidro que ocupam o plano inclinado onde se costuma acomodar a plateia. De vários tamanhos e feitios, as peças são cuidadosamente iluminadas. Não podem ser chamadas de cenário, no entanto, já que não servem à cena, aquelas “inutilezas”. Parecem, antes, ter-se reunido ali em complô para conclamar ao desvio o olhar do espectador e dar ao “cisco”, como quer Manoel, “uma importância de catedral”.

Edição EDIÇÃO 16960




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