ILUSTRADO
Quinta-feira, 23 de Julho de 2015, 16h:00
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MPB
Luth Peixoto faz boa música na noite cuiabana
Cantor e compositor é atração no Tom Chopim e Deck Avenida além de se destacar em festivais de música no interior e fora de MT
JOÃO BOSQUO
Da Reportagem
Luth Peixoto, em casa, assim como nos campinhos de pelada da infância, é conhecido como Berg, a segunda parte do nome de batismo Luthemberg. Luth aconteceu por conta da viola. Viola é modo de dizer, pois o instrumento preferido é o violão que o acompanha em todos os momentos de sua já consolidada carreira. Dois CDs, ambos gravados aqui em Mato Grosso, não dizem tudo da trajetória desse cantor e compositor. Nasceu em Gurupi de Goiás, hoje Tocantins. Luth Peixoto costuma dizer que é goiano-tocantinense. Por conta da divisão. Teve uma infância tranquila, bola e gostar de música. A mãe dizia que ele, assim como o irmão mais velho, puxara o lado da família materna, cujo avô era músico, excelente flautista, e outros tios também músicos chegaram a formar um sexteto. A poesia, sim, a poesia, também fez parte desse universo. A mãe professora recebia os livros do MEC e o guri corria para ler os poemas de Drummond, versos de Castro Alves, Cassiano Ricardo, enfim os poetas escolhidos para dar conteúdo poético aos livros. O pai, Luiz Nunes Peixoto, chegou em Goiás, oriundo da Paraíba, e fixou-se em Gurupi, e mais tarde foi um dos ativistas do movimento para divisão do Estado, sendo amigo do então deputado federal por Goiás e depois primeiro governador de Tocantins, Siqueira Campos, depois da divisão em 1988. Fica o registro. Quando eu passei para música achava Luthemberg muito grande para as pessoas decorarem e fiquei pesquisando: Luth, Berg Luth, Luth Gomes ou Luth Peixoto?, conta. Na votação dos amigos prevaleceu Luth Peixoto por conta da força do sobrenome e Luth ficou desde quando na década de 80 se mudou para Brasília para acompanhar o irmão, Luiz Peixoto, também músico, que já morava na capital federal. Para ficar perto dos músicos da banda, carregava instrumentos, fazia pequenos serviços de ajudar aqui, ali e até a primeira canja, nos finais dos bailes. A mudança para Brasília, a princípio, era para estudar. Os estudos foram ficando pra trás à medida que começou a tocar na noite, acordar ao meio-dia e chegou a formar uma banda que passou a tocar no Clube da Sociedade Esportiva do Gama, e passou a ser a vida do cantor, bem como viajar para participar dos festivais de música para dar vazão ao compositor. Essa combinação querer estudar e participação em festivais foi que trouxe Luth Peixoto para Mato Grosso para aqui se enraizar. Vamos explicar. Assim que começou a ficar um pouco mais conhecido, recebeu um convite, por parte de uma amiga, Rose Cleir, para participar do Festival de Música do Araguaia que, além do festival de praia, tinha também o concurso de música autoral. Ele veio e em seguida foi para o festival de Alta Floresta, Tangará da Serra e passou por Cuiabá. Vi Cuiabá, gostei e disse: vou morar aqui e vim, conta. Corria o ano de 2001. A primeira casa que se apresentou foi na Cachaçaria Água Doce, onde agora está localizada a Clube de Esquina e o segundo foi o Cantoria, no Boa Esperança e lá tinha um pessoal que já conhecia a sua música e quando foi apresentado ao pai do Paulo Monarco, que dissera que já tinha ouvido alguma coisa do compositor. Ir e vir, um dia passa no Tom Chopim, do publicitário Geraldo Gonçalves, deu uma canja, quando tocou bastante Chico Buarque , Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Toquinho, e foi contratado pela casa. Além do Tom Chopim, onde é contratado com CTPS assinada, também tem contrato com o Deck Choperia e faz parte da agenda do Sesc Arsenal. Tudo isso porque o STF derrubou a obrigatoriedade do músico ser associado da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) para tocar na noite, a partir de uma ação iniciada pelos músicos de Mato Grosso. Todos os músicos brasileiros isso é da nossa natureza tem aversão a pagar a anuidade, pois acreditam que a entidade, muito das vezes, trabalhava contra o músico e não a favor dele, músico. Lembrando, a Ordem dos Músicos foi criada em 1960, pelo governo de JK. Luth Peixoto diz que Cuiabá agora é a sua base. Viaja pelo Brasil, participando de festivais e fazendo shows, mas acaba sempre voltando. A fase de participação em festivais está em banho-maria. Ele diz que se o artista, compositor, quiser pode viver apenas de festivais pelo Brasil. A dica é o site www.festivaisdobrasil.com.br, onde se encontra data e locais de todos os festivais que acontecem pelo Brasil. Ele já fez muito isso, músicas especiais para festival e ganhou muitos e agora está vetado de participar em vários festivais pelo interior. Segundo ele, no início era como se fosse uma troca de experiência, de energia, como começou a ficar conhecido como papa-festival, ao chegar os demais concorrentes já o viam como adversário e não como colega de profissão e, por conta disso, agora só participa de festivais de caráter nacional. A participação em festivais, claro, tem o lado dos prêmios, mas também tem o lado social que, ao participar, conhece novas pessoas, faz novos amigos e de alguma forma ajuda no desenvolvimento musical das crianças. Eu mesmo assisti muitos festivais e acabei me influenciando por eles, conta. O artista tem dois CDs gravados. Esses dois CDs, segundo ele, nasceram da necessidade do trabalho autoral. O compositor não faz a música pra ele e a ideia é registrar isso para que outras pessoas possam conhecer o trabalho. Isso é tão forte que no CD, que temos em mão, Canto de Luar, de 2013, as letras são acompanhadas das músicas cifradas para facilitar para outros violeiros. O CD é também uma fonte de faturar um pouco mais. Ele acredita que o amante da música quer ter o objeto nas mãos, o registro com as letras. O que não se tem com mídia digital, os nomes dos músicos participantes. Acho que todo artista compositor quer ter seu disco gravado, analisa. Atualmente, principalmente o universo denominado sertanejo universitário tem muitos discos promocionais que aparecem apenas o nome da música, faixa e a dupla de cantores. Segundo Luth Peixoto, isso vem acontecendo com muita frequência, um desrespeito com o compositor. Eu não gostaria que alguém pegasse minha música e gravasse sem minha autorização, avisa. O projeto do terceiro CD é incluir músicas ao estilo de xote e xaxado e baião, conforme foi o repertório do show recente no Sesc Arsenal. Importante destacar que projeto no Sesc é voltado para músicas autorais. O compositor dança conforme a música. Se for uma música para festival ela será temática. Para um festival de música caipira, a composição obrigatoriamente tem que falar do campo, enquanto para o CD são músicas românticas. O compositor conta que tem a capacidade de definir o tema da música com antecedência, sem precisar esperar pela inspiração. O tema escolhido o que varia é o estilo: xote, xaxado ou canção. A agenda do artista em Cuiabá está assim dividida: quarta-feira, sexta e sábado no Tom Chopim; no Deck, quinta-feira e sexta no happy hour; enquanto no Sesc é uma agenda rotativa, mês-sim, mês-não.