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ILUSTRADO
Terça-feira, 28 de Julho de 2009, 20h:29

PRESIDENTE

Lula fala de frustrações no setor da cultura

Jotabê Medeiros
Agência Estado
Frequentemente criticado por não demonstrar publicamente pendores para a área cultural, o presidente Lula abriu o flanco semana passada, em São Paulo, dissertando de forma inédita sobre o tema. Foi durante o lançamento do projeto de lei do Vale Cultura. Revelou uma visão de fora para dentro, da periferia para o centro, e com perspicácia incomum. O presidente começou admitindo uma grande frustração de sua gestão, a de não ter conseguido construir centenas de casas de cultura na periferia das grandes cidades, projeto que começou a ser engendrado no início do primeiro governo, com projeto do arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé. O presidente abordou longamente o problema do cinema nacional - por sinal, o setor artístico mais bem representado no ato, com uma dezena de cineastas na plateia, como Cacá Diegues, Bruno Barreto, Luiz Carlos Barreto e Ugo Giorgetti. "Eu confesso a vocês que não sei o que fazer." Falou da saudade das grandes salas de cinema de sua adolescência, como o "cinemascope" do Cine Comodoro, na Avenida São João, e o Cine Anchieta, em São Bernardo. "Nas 10 salas do shopping juntas não cabe o que cabia naqueles cinemas." Lula alfinetou também o mercado editorial nacional - deu isenção fiscal às editoras, mas o preço do livro não caiu. Prometeu que o ministro Juca Ferreira não será candidato a deputado, vai ficar até o fim da gestão. Ferreira chorou ao iniciar o seu discurso, dizendo que o Vale Cultura é parte de um esforço para fazer com que os brasileiros tenham instrumentos "que satisfaçam suas demandas afetivas e suas fantasias humanas".

Edição EDIÇÃO 16961




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