NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 28 de Junho de 2011, 20h:30

DVDs

Lixo é matéria-prima de obra de arte

Mais um belo filme dos irmãos Joel e Ethan Cohen, e o arrebatador “Lixo Extaordinário”, ovacionado em vários festivais pelo mundo afora, são recomendados nesta quarta-feira

Juarez Compertino
Especial para o Diário de Cuiabá
Ovacionado em festivais como os de Sundance, Berlim, Los Angeles, Amsterdã, São Paulo e indicado ao Oscar de Melhor Documentário, “Lixo Extrarodinário” (Inglaterra/Brasil, 2010/Paris) reverbera em corações e mentes com efeito arrebatador ao estabelecer uma interessante relação entre o lixo e a arte, elementos quase opostos, não só pelo valor estético, mas também por sua representação social. Dirigido a seis mãos por Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim ao longo de dois anos (de agosto de 2007 a maio de 2009, daí o revezamento dos cineastas), o “doc” cria uma estrutura dramatúrgica fugindo do formato clássico ao acompanhar o trabalho de Vik Muniz, conceituado artista plástico paulistano radicado nos Estados Unidos, em um dos maiores aterros sanitários do mundo, o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro, responsável por receber cerca de 70% dos dejetos da capital fluminense. A tarefa do artista consistia em usar em suas espetaculares obras o que era descartado pelos catadores de material reciclável, contando com o auxilio de alguns trabalhadores do lixão ,que ele fotografa com o objetivo inicial de retratá-los. No entanto, o trabalho com esses personagens - entre eles, o simpático sindicalista Sebastião Carlos dos Santos, o agora famoso Tião - revela a dignidade e o desespero que enfrentam quando sugeridos a olhar suas vidas fora daquele ambiente desumano. O processo expõe o poder transformador da arte e da alquimia do espírito humano. Devido aos rumos imprevistos das filmagens, o filme pode parecer sem norte. A produção apresenta o artista, conta um pouco de sua carreira, mas mostra também seu desejo de colaborar para dar uma vida mais digna a esse grupo de pessoas ao torná-los participantes e objeto de sua arte. Emociona? Sim! Há mérito humanitário! Sim! Mas, excessivamente edificante, contém complicada visão de salvador da pátria. “Lixo Extraordinário”, contudo, funciona bem ao revelar o passo a passo da curiosa técnica de criação de Muniz, além de ser um caloroso registro de desvalidos em busca de oportunidades na vida. Há, sim um certo pendor ao paternalismo, mas nada que estremeça a análise da transformação do descartável em arte, do lixo em luxo.

Edição EDIÇÃO 16961




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL