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ILUSTRADO
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010, 09h:44

LITERATURA

Livro traz itinerário de Euclides da Cunha

Em “Amazônia de Euclides - Viagem de Volta a Um Paraíso Perdido”, Daniel Piza atualiza as sensações despertadas em Euclides da Cunha na sua viagem amazônica

Ubiratan Brasil
Agência Estado
Livros de viagem habitualmente oferecem descobertas ao leitor, especialmente quando o autor escreve sobre seus temas não como um acadêmico ou analista, mas como um observador que transmite suas emoções e por meio de uma escrita descritiva. Em “Amazônia de Euclides - Viagem de Volta a Um Paraíso Perdido” (Leya Brasil, 192 páginas, R$ 39,90), que acaba de ser lançado, Daniel Piza atualiza as sensações despertadas em Euclides da Cunha (1866-1909) quando de sua viagem ao Alto Purus, no Acre, região fronteiriça com o Peru, em 1905. Naquele início de século 20, o autor de “Os Sertões” foi designado para liderar a comitiva mista brasileiro-peruana de reconhecimento da região. E, além de cumprir com os objetivos técnicos da missão (como mapeamento da área), Euclides coletou dados para uma análise histórica e social do extremo oeste da Amazônia, informações que resultaram nos livros “Contrastes e Confrontos” (1907) e “À Margem da História” (1909). Com esses textos fundamentais à mão e acompanhado do repórter fotográfico Tiago Queiroz, Piza, editor executivo e colunista do Estado, repetiu o trajeto final do itinerário euclidiano entre 4 e 15 de março do ano passado. Percorrendo a região em barcos, Piza e Queiroz repetiram Euclides e travaram um contato mais próximo com a população local. Uma das questões mais recorrentes na obra de Euclides é a relação entre civilização e barbárie - como na época acontecia o auge da economia extrativista da borracha, o escritor observou o trabalho semiescravo a que eram submetidos os seringueiros, além da brutalidade reservada aos índios. Em sua viagem, Piza conheceu outra realidade. Não só a borracha deixou há muito de ter importância econômica, como a função não desperta saudade nos ex-seringueiros, hoje mais preocupados com a agricultura. “O que prevalece é a falta de perspectiva de emprego”, observa o escritor Milton Hatoum, autor do texto de apresentação do livro e com quem Piza participará amanhã de uma conversa, na mesma Livraria da Vila, a partir das 19h30 - também haverá projeção das fotos de Queiroz. “A agricultura de subsistência é apenas isso: uma possibilidade para sobreviver.” As descrições de Piza encontram eco nas imagens de Tiago Queiroz, retratos do cotidiano de índios e paisagens isoladas, uma região cuja rica biodiversidade continua ainda pouco conhecida. E o espaço mais generoso do livro revela-se como o meio ideal para apresentar esse panorama, uma vez que a viagem figurou no projeto multimídia “O Ano de Euclides”, organizado pelo jornal “O Estado de S. Paulo” em 2009, que incluiu boletins diários na Rádio Eldorado, um blog, matéria publicada no jornal e um ciclo de debates temáticos. Em “Amazônia de Euclides”, Daniel Piza aprofunda e atualiza a viagem do escritor/cientista viajante que, ao unir ciência e arte, delineou a geografia e a alma do povo amazônico.

Edição EDIÇÃO 16960




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