Um dia tudo desaparece. O mundo fica preto e branco e some entremeio a densa fumaça que emana dos vapores de ilusões. Ricas paixões distribuídas. As distâncias aumentam. Rolam como pedras pelo caminho. Um dia a realidade torna se tão peculiar que é necessário outra opção. Alguns fatos são teimosos. Permanecem atolados em provocações. Formam redes de insultos e teias na memória. Um link perfeito. Seguindo adiante. Não há tempo para repensar o passado. O mundo plugado é sem memória. A vida gira em torno de mega bites emotivos, sem eixo. Os sentimentos são disparados livremente ao sabor da velocidade de conexão. Ninguém consegue juntar tanto carinho no mesmo hardware. O tempo foge dos sonhos. Deixa os softwares contaminados de solidão desfragmentados pelas vagas horas fúteis. Um dia tudo seca. A máquina trava. Como uma piscina ao relento. Perde se tudo que estava no disco rígido. Sobra apenas as vãs tentativas de reset. Sem sucesso. um vácuo inútil consome a utilidade numa prateleira empoeirada. Largada ao esquecimento vai se deteriorar gradativamente. O endereço final é o monturo. Sentimentos são pincéis que devem ser conservados em constante atividade. Manejados com habilidade. Guardados em lugares especiais. A rotina pode ser árduo e intensa. Mas a noite deve trazer um colo aconchegante repleto de paz. Aquecer a alma com o suave carinho do amor. Um dia tudo se esvaí. Escorre como as cordilheiras infinitas que debulham o verde pela planície. Semeando uma mancha verde que se acentua na distância. É como se a esperança desse adeus. Partisse para pontos ignorados levando junto as possibilidades. A solidão aproveita para se apresentar como leal companheira. Mas no peito palpita a saudade teimosa. Que debulha lágrimas atrasadas. Lava montes vermelhos da face ardente. Os pensamentos se distraem em infinita lembranças que provoca arrepios. O amor que fica anuncia uma fragilidade meiga e provocativa. Os momentos se misturam. A saudade constrói momentos inesquecíveis. Serve a dor em pratos limpos. Um dia tudo vai se perder. Tal qual os rios que leva as águas calmas para um mar de desespero. Segue ao encontro fatal e simplesmente desaparece. Consumido por eternas e bravias ondas. Tragados por águas nervosas. Precipita determinado a matar a sede de inusitados fantasmas insaciáveis. Um dia a luz se apagará e a escuridão intensa chegará de mansinho. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado
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