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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008, 19h:46

Jardim ou Praça?

A primeira palavra, jardim, se define como terreno onde se cultiva plantas ou vegetais de toda a natureza. Era o caso do JARDIM ALENCASTRO, em frente ao prédio da Prefeitura Municipal. Nele encontravam-se rosas, pingos-de-amor entrelaçando os quiosques, grama verde atapetando canteiro, árvores que geravam sombra, etc. e, compondo esse mesmo Jardim, o coreto, onde se apresentava banda de música, do Exército ou da Polícia Militar, às quintas-feiras e aos domingos. Preferido como lazer dos cuiabanos, no Jardim Alencastro se reunia gente de toda a idade, tais como: avós, pais, mães, namorados e crianças, para encontro prazeroso ao espírito, conversando, escutando música e brincando. Quantos namoros surgiram naquele Jardim, prosseguindo até ao casamento... Festas sadias, brincadeiras espirituosas, como o Correio Elegante, quando graciosas moças levavam mensagem ao gênero masculino; este, ao recebe-la, contribuía com pequeno valor, para o objetivo da festa, geralmente angariando fundos destinados a fins filantrópicos. As mulheres caprichavam na apresentação: vestidos de seda, meias finas, elegantes sapatos, rendas, babados esvoaçantes e tudo mais qe compõe a boa aparência; para os homens, roupa de linho, de cambraia (linho ou algodão), cabelos alinhados, sapatos engraxados, enfim, havia diferença entre roupa de trabalho e roupa de passeio. E a praça? Ela tem várias definições no dicionário da Língua Portuguesa; neste artigo quero defini-la como: lugar público cercado de edifícios ou outras construções. Temos assistido, constantemente, à reforma de praças na Capital; numa delas, quando se abaixou o tapume à tarde, para reinauguração à noite, uma senhora arrancou roseira levando consigo, quando o motorista - que fazia ponto ao lado - chamou sua atenção. A resposta veio em seguida: - “a praça é do povo, assim como o céu é do condor.” O motorista retrucou: - conheço essa frase; se não me engano, é do Castro Alves; a praça é do povo para usufruir, não para destruir - o que a senhora está fazendo. Esse comportamento de carência de cidadania, faz com que os logradouros públicos, em pouco tempo, fiquem completamente danificados e, com isso, o povo vai se afastando... Será a vez do mau elemento tomar conta da situação, porque não há programação regular de arte, a fim de que o povo participe. As megas promoções acontecem uma ou duas vezes por ano; mas temos talentos regionais, esperando pela oportunidade de se apresentarem; artistas não faltarão, pois, está comigo a Aline Figueiredo com o seu livro intitulado “ARTE AQUI É MATO”. Com a globalização, a diferença será o regional e, tenho certeza, dá muito prazer reunir pessoas que somam a vontade de ajudar ao prazer de se divertir. O movimento não é para quem lamenta; é para quem faz. Precisamos associar tempo à ação; tempo somente não basta. Na praça OITO DE ABRIL, recentemente reinaugurada, tenho assistido a apresentações artísticas regionais, com participação de muitos espectadores; vejo crianças pelas mãos dos pais; ensaiando os primeiros passos; andando de velocípede, enquanto os adultos apreciam boa música e se refrescam sob copas de mangueiras. Por que aguardar somente megas eventos? Eles são caríssimos e não contemplam a população de baixa renda. Entendo que precisamos de trabalho para o bem do corpo e lazer para o bem do espírito. Todo lugar sem habitação, está predestinado a abrigo de malfeitores; o exemplo poderá ser constatado na própria casa: não deu ocupação para determinado lugar, aranhas e baratas tomam conta. E nós fomos nos afastando do Jardim Alencastro, deixando aquele espaço - de tão boas lembranças - entregue a bandoleiros. Outro ambiente desfigurado é a PRAÇA DA REPÚBLICA, em frente à Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, protetor da cidade. O lugar virou mictório, matando toda a grama até então existente...; de um reservatório de água, enterrado, tira-se água para lavar roupa, que se estende acintosamente! Vamos valorizar o que é nosso; o cuidado com a cidade não pode ficar, somente, a cargo da Prefeitura Municipal; o centro da cidade é o cartão-de-visita para quem chega; pela apresentação da Capital, poderemos deduzir quem mora nela. Quando temos a benesse de contar com logradouros públicos, devemos ajudar a municipalidade, como nos ensinam em casa: - “você abriu, feche; acendeu, apague; ligou, desligue; desarrumou, arrume; sujou, limpe; está usando algo, trate-o com carinho; quebrou, conserte; não sabe consertar, chame quem o faça; para usar o que não lhe pertence, peça licença, pediu emprestado, devolva; não sabe como funciona, não mexa; é de graça, não desperdice; não lhe diz respeito, não se intrometa; não sabe fazer melhor, não critique; não veio ajudar, não atrapalhe; prometeu, cumpra; ofendeu, desculpe-se; não lhe perguntei, não dê palpite; falou, assuma.” Seguindo esses preceitos, viveremos melhor. É isso aí; vamos valorizar o que é nosso, repito; segundo o crítico Álvaro Lins, para atingir o universal, teremos que passar pelo regional. NILZA QUEIROZ FREIRE Cadeira 14

Edição EDIÇÃO 16968




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