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Terça-feira, 27 de Julho de 2010, 19h:25

CD

Ivan Lins e Vitor Martins retomam parceria

Novo trabalho tem caráter supranacional e sai no Brasil em agosto. Marca o reencontro dos músicos e Vitor é letrista da maior parte dos sucessos dos 40 anos de carreira de Ivan

Roberta Pennafort
Agência Estado
O vínculo de Ivan Lins com a Holanda começou por intermédio de um músico de sua banda, o guitarrista uruguaio Leonardo Amuedo. Ele havia morado no país e sabia do interesse que a música de Ivan despertava na terra de Van Gogh. Em 2008, os laços se estreitaram com sua ida para gravar ao vivo com a Metropole Orchestra o CD que lhe renderia um Grammy Latino. Esse ano, veio outro convite, e mais um CD feito lá, Intimate, que será vendido por aqui e em nossos vizinhos com o título de Íntimo (Som Livre), a partir de agosto. Para além de fortalecer essa ponte Rio-Amsterdã, o novo trabalho, de caráter supranacional, e que sai no Brasil em agosto, tem como marca a retomada, passados doze anos de hiato, da parceria com Vitor Martins, letrista da maior parte dos sucessos dos 40 anos de carreira de Ivan - só para fechar em dez exemplos: Começar de Novo, Lembra de Mim, Novo Tempo, Saindo de Mim, Dinorah, Dinorah, Desesperar Jamais, Vitoriosa, Abre-Alas, Aos Nossos Filhos, Bilhete. “De 1997 para 98 deixei de ser sócio do Vitor (na gravadora Velas, que a dupla abriu em 91 e que lançou novos e grandes nomes, como Lenine e Guinga), e houve uma certa tristeza", conta Ivan, que se deu conta de que seu prazer estava mesmo em fazer música, e não em pensar no lado comercial, principalmente depois que a gravadora sofreu com o trambique de um contador ladrão. "Perdemos muito dinheiro, milhões, ele mais do que eu. Até hoje não se recuperou." Com o afastamento, Ivan retomou parcerias com Paulo Cesar Pinheiro e Ronaldo Monteiro de Souza (coautor dos clássicos Madalena e Me Deixa Em Paz). E enfim chegou a hora do reencontro com Vitor, consolidado em faixas de Íntimo, como Tanto Amor, Arrependimento, Nosso Acalanto, E A Gente Assim Tão Só, Meu Espelho e Crystal Clear. Esta última tem dedo de Jane Monheit, a musa de jazz americana apaixonada por Ivan. "Uma vez fiz seis noites no Blue Note, em Nova York, dois shows por noite, e ela foi aos doze. Até que um dia disse: ‘Já tô constrangido. Você não quer subir ao palco?’", conta o músico, que neste CD tem ainda três participações superespeciais: o uruguaio Jorge Drexler (parceiro em Diadema), o espanhol Alejandro Sanz (em Llegaste, versão de Vieste), a holandesa Laura Figy (na versão em francês de Bilhete), entre outros nomes de fora. Para quem ainda não sabia, é mais uma pista da inserção cada vez maior de Ivan no exterior, iniciada há 30 anos pelas mãos do superprodutor Quincy Jones. Hoje, as turnês pela América do Norte e Europa são anuais. "As viagens cansam... A gente finge que não sente, mas sente", brinca o vovô (de cinco) Ivan, que em junho fez 65 anos - a aparência é de 50 No Brasil, regravou para os fãs quinze de seus hits, com os arranjos originais, que saem no CD Perfil (Som Livre). É parte da festa pelos 40 anos de profissão.

Edição EDIÇÃO 16967




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