Os termos Buda e Cristo não pertencem a nenhum indivíduo, mas representam categorias a que podem chegar os homens, porquanto Buda provém de Bodi, sânscrito, que quer dizer Sábio, Iluminado, etc. Do mesmo modo que Bod tibetano, com o mesmíssimo significado, como prova, ao Tibete, se lhe chamar Bod-Yul, ou País do Conhecimento, da Sabedoria Perfeita, etc. Quanto ao termo Cristo, provém do Krestus grego, que quer dizer: Ungido, Iluminado. Só o desconhecimento dessa mesma Sabedoria Eterna pode levar os prosélitos das várias religiões existentes a se digladiarem mútua e estupidamente, como se todas elas não fossem pálidos raios seus. Ou, como disse o grande Teósofo espanhol, Mario Roso de Luna, embaciados espelhos onde a mesma (Sabedoria Eterna) se reflete. Amônio Sacas foi um grande e eminente filósofo, que viveu em Alexandria, entre o segundo e terceiro séculos de nossa era. Foi o fundador da Escola Neoplatônica dos Filaléteos ou Amantes da Verdade, como foi dito anteriormente. Nasceu de pais cristãos e era pobre. Possuía, entretanto, uma bondade tão grande, que o cognominaram, desde logo, Theodactus ou ensinado (guiado) por Deus, etc. Venerou a tudo quanto de bom existia no Cristianismo, porém rompeu com o mesmo e com suas Igrejas, ainda jovem, por não ter encontrado, em seu seio, coisa alguma superior às antigas religiões, mas, apenas, cópias e adulterações suas. Seus Mestres foram: Pitágoras e Platão. Ensinou ele que a religião das multidões correu, sempre, pari-passu com a filosofia, e, com esta, foi corrompendo-se gradualmente, por vícios de conceitos, mentiras e superstições, puramente humanos. Era necessário, portanto, restituí-la à sua original pureza, por isso mesmo, expurgando-a da escória e interpretando-a, filosoficamente, pois o propósito de Jesus foi restabelecer, a sua prístina integridade, a Sabedoria da Antiguidade; reduzir o domínio da superstição, que prevalecia no mundo, corrigir os erros introduzidos nas diversas religiões e quanto pudesse servir de obstáculo à rápida evolução do homem, na sua marcha para o divino. Pelo que se vê, era um verdadeiro Teósofo, sem deixar, por isso, de ser um cristão, budista, etc. Blavatsky, por sua vez, ensinou que o Teósofo não deve sujeitar-se às opiniões alheias, formando ele as suas próprias convicções, de acordo com as regras de evidência, que lhe proporciona a ciência a que se dedica, sem atender a encômios de fanáticos sonhadores, nem a dogmatismos teológicos; Jesus pregou uma doutrina secreta, e secreta (tanto naquele tempo como hoje) quer dizer Mistérios da Iniciação. Voltaire caracterizou, em poucas palavras, os benefícios dos Mistérios, ao dizer que, entre o caos das superstições populares, existia uma Intuição que evitou sempre a queda do homem na mais degradante animalidade: a dos Mistérios. E, justamente, por ser Mistério, é que não pode chegar ao domínio de todos, mas de uma elite (ou de eleitos, na razão, repetimos, de muitos serão chamados e poucos os escolhidos), capaz de conduzir a maioria pelo Caminho do Dever, da Honra, do Amor e da Justiça, até que não seja mais necessária a referida seleção, isto é, quando a Humanidade inteira (utopia para os pessimistas de todas as épocas) estiver equilibrada por tão elevados princípios que, a bem dizer, representam os eubióticos princípios, com que a mesma Humanidade, queira ou não, terá que se regular, sob pena de continuar por muitos séculos, ainda, sacudida pelos terríveis vendavais, que, há tanto tempo, servem de obstáculo à sua marcha evolucional para o Divino. Vendavais muito bem simbolizados nos Quatro Cavaleiros do Apocalipse: Domínio, Guerra, Fome e Peste. Coluna Arte real, neste espaço todos os domingos. O presente artigo pode ser encontrado em toda a sua íntegra na Revista Arte Real, uma publicação e comercialização de assinaturas da Grande Loja Maçônica do Estado de Mato Grosso. www.glemt.org.br
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[email protected] Só o desconhecimento dessa mesma Sabedoria Eterna pode levar os prosélitos das várias religiões existentes a se digladiarem mútua e estupidamente, como se todas elas não fossem pálidos raios seus.