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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009, 20h:54

MÚSICA

Homenagem a Dominguinhos em CD

O Dominguinhos forrozeiro todo mundo conhece melhor, mas é o grande melodista que a cantora quis valorizar nesse belo e delicado CD

Por Lauro Lisboa Garcia
Agência Estado
A maranhense Flávia Bittencourt diz que, como boa nordestina, aprendeu a gostar das canções de Dominguinhos desde criança. Já quando adulta e cantora profissional, teve a honra de tê-lo como convidado em seu revelador CD de estreia, "Sentido", de 2005. Agora Flávia dedica seu segundo álbum, "Todo Domingos" (independente), ao compositor pernambucano. Gravou clássicos e raridades dele, teve novamente o sanfoneiro e cantor como convidado (em "Diz Amiga", parceria com Guadalupe) e ainda compôs em sua homenagem uma canção bem ao estilo dele, "Seu Domingos". O Dominguinhos forrozeiro todo mundo conhece melhor, mas é o grande melodista que a cantora quis valorizar nesse belo e delicado CD. Numa vasta amostragem de cerca de 40 anos de carreira, foi inevitável regravar êxitos como "Lamento Sertanejo" e "Abri a Porta" (as duas dele e Gilberto Gil), "Quem me Levará Sou Eu" (com Manduka), "Eu Só Quero Um Xodó" e "Tenho Sede", ambas da frutífera parceria com Anastácia, predominante no CD. É sempre um risco recriar canções tão conhecidas. Fazer igual ao já feito é dispensável. Flávia conseguiu um equilíbrio, colocando marcas pessoais e diversificadas, mantendo a estrutura e a beleza da forma original das canções. Dominguinhos já disse que o reggae é um xote sem vergonha. Vai daí que, sendo de São Luís, onde o ritmo jamaicano é forte, Flávia atendeu aos pedidos dos conterrâneos levando "Abri a Porta" (gravada como xote pelos autores e como balada-reggae pelo grupo A Cor do Som) para dançar um reggae suingado. "Xodó" acabou incorporando algo de flamenco, e também tem a ver com a levada polirrítmica do bumba-meu-boi. O forrozão "Sete Meninas" (parceria com Toinho) ganhou roupagem funkeada. "Contrato de Separação" e "Quem me Levará..." trazem uma certa erudição de Villa-Lobos nas cordas e nos sopros A festiva "São João Bonito" é uma prazerosa ciranda. O "Babulina", homenagem a Jorge Ben, é um sambalanço de gafieira. "Primeiro conversei com Dominguinhos porque fiquei preocupada em não reinventar essas canções de forma que ele nem as reconhecesse. Depois, eu e os músicos da banda, como moramos perto, pudemos tocar bastante essas músicas e as ideias de arranjos foram surgindo naturalmente", diz a cantora, que fez questão de incluir o maior número possível de diferentes parcerias de Dominguinhos, como "Retrato da Vida", feita em dupla com Djavan. Há uma delicadeza nas canções mais lentas que afinam com o canto feminino. "As músicas dele são muito melodiosas e bonitas, principalmente as parcerias com Anastácia. Não é à toa que elas são maioria no meu disco." "Arrebol" é uma das faixas raras e complexas que ela destaca. "Gosto muito do Dominguinhos forrozeiro, mas quis mostrar também esse outro lado dele, mais rebuscado. 'Arrebol' é fora do comum do que se conhece dele, acho muito parecida com algumas músicas de Arrigo Barnabé." Flávia, como Dominguinhos, surpreende.

Edição EDIÇÃO 16961




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